terça-feira, 8 de julho de 2014

Raincoats.



Gosto tanto que já não é espanto, quando me atinges. Quando me tinges de púrpura ao deixares de sentir os lábios. Com tons em azul, azulados de alguém. Vincados e amarrotados por um ferro sem dono, sem ninguém. Não é espanto ver-te assim, quando de mim esperas a ânsia que te cessa os tremelicos de cor violeta.

Ligasse eu à distância, à preponderância de te saber imprimir a cores. À melancolia de não te galar e dizer que sabes melhor que sabores. Não me regenerasses tu o quente, na presença de frios mórbidos. De suores sem tópico, de beijos sem óbitos. Não me esperasses tu à chuva, sem gabardine e com o cabelo a pingar.



Não é espanto. É encanto.

sábado, 5 de julho de 2014

Dark room, no cameras. - Part 1


Inquietude que me aconchega, à noite. Do outro lado da cama, um gelo de plenitude que me desaconchega os lençóis. Solitude que marca o chão do quarto, que dobra os pés da cama. Olhos vagarosos que custam encontrarem os teus. Pigmeus, pequenas tropas de suspiros envergonhados quando me respondes com carinho. Quando agarras no pergaminho e o metes à minha frente. Escreve para mim, por favor. Sabes bem que o faço porque adoro ver o traço de sorriso que vais deixando para trás, linhas após linha.
Não te sentes sozinha, sabes que me tens. Sabes que escrevo para ti de luz apagada porque a tinta, para ti, é fluorescente. Sabes que adoro estrelas cadentes e é por isso que fechas os olhos quando alguma passa. Sabes que as recolho das tuas íris e é por isso, que te desenleias para mim. Sabes, que eu gosto do teu enleio. Do desenleio.
Já eu sei bem quando te leio. Percebo quando me leio. Percebo que isto é enleio. Que não preciso de luz acesa para saber onde estás. Que não preciso de uma câmara para te rever, quando não estás.


Para isso, tenho-te aqui. Guardo-te aqui. Escrita a fluorescente nos pedacinhos de coração que me vais deixando. Para isso, tenho-te aqui. Guardada para mim. Guardada para ti. Para nós?