sábado, 23 de outubro de 2010

Relatos


Começarei por escrever,
Parte da minha vida.
Mas nem metade irei dizer,
Pois parte dela está perdida.

A outra metade cá fica,
Está bem viva mas guardada.
Vou oferecendo a quem precisa,
Mas guardando a mais marcada.

São duas metades distintas,
Dois mundos completamente diferentes,
São ambos feitos de fintas,
Ambiciosos e inteligentes.

A minha vida é a escola,
E os meus amigos a minha vida.
O meu vício é a bola,
E o computador a minha sida.

Sou rodeado por amor,
Mas fui feito por engano,
Cá dentro não guardo rancor,
Mesmo que não tenha sido um plano.


Mas não me posso esquecer,
Do papel tomado pelos meus pais:
Ajudaram-me a crescer;
Funcionaram como um cais.


A todos voçês, só tenho a agradecer por todo o apoio prestado.
E um dia mais tarde, quando puder, retribuir tudo de bom grado.

domingo, 17 de outubro de 2010

(És) Doença


Quero escrever tanta coisa,
Mas não me consigo abrir por completo;
Eu quero que alguém me oiça,
Mas não tenho dialecto..

Não sei como o obter,
Não sei como o ganhar;
Ele mete-se a correr,
Muito antes de eu falar..

Tento recorrer à lírica,
Aos dotes de escritor.
Mas essa já é cínica,
Já perdeu o seu valor.

Deixou-me vazio,
Levou a minha alma.
Deixou-me o corpo frio,
E um stress que não acalma.

Infectou a minha mente,
Em mim já não estou..
O meu corpo já não sente,
O meu mundo já parou.


Esta doença não tem fim,
Só mostra o mau e o errado..
E é por isso que eu estou assim,
Confuso e desorientado..

Alastra e alastra,
Não tem como acabar..
É um lápis que não desgasta,
Que me marca sem parar.

Mas eu não sou nenhum erro,
Que uma borracha pode apagar..
Seja de papel ou de ferro,
Também me posso aleijar.

Por isso pára de me sorrir,
Deixa-me ser livre e sonhar..
Se não sentes o que eu estou a sentir,
Por favor parte sem recuar.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Improvisos e Improvisos


Pego na caneta, e escrevo um livro de rimas,
Lá escrevo as minhas vontades, lá escrevo as minhas sinas.
Junto o possível ao impossível, crio algo nunca antes visto,
Torno-me alguém importante, ultrapasso o próprio Cristo.
Passo a dominar tudo, até o próprio Tempo,
Domino a água, a terra, o fogo e o vento
De mortal passo a imortal, torno-me invencível,
O raro passa a banal, e o coração a insensível .
De peão passo a Rei, de soldado passo a guerreiro,
Antes era último, agora sou o Primeiro .
Antes era vassalo, vivia como um pobre,
Tinha uma vida de escravo às ordens do seu nobre..

São histórias de vidas, e esta é a minha..
Terei que a juntar às tantas outras para não ficar sozinha.
São feitas de rimas e mais rimas, de textos e mais textos,
Mas por mais que eu me esforce nunca chegam a ser perfeitos.
Talvez esteja a sonhar, talvez seja ilusão,
Mas só sei que se eu parar, não vou chegar à perfeição..
E para chegar a esse feito é preciso praticar,
É preciso ter gosto e vontade de continuar.
E isso já eu tenho, mas falta o flow e a coragem..
E sem isso não sou ninguém, não passo da vassalagem..



(Eu sei que está fraquinho, mas ultimamente não tenho escrito nada de jeito, a não ser estas pequenas rimas. Quem sabe, daqui a uns tempos volte ao que era, se alguma vez cheguei a ser alguma coisa. ;)

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Desabafo/Improviso




A N D R É ,      says (23:31):
*Ai crl, já ando farto disto tudo,
Onde é que vou ganhar coragem para não me deixar ir ao fundo ?
A sério, porque é que eu não jogo no euromilhões ?
Assim ficava livre, isento de confusões..
Podia gastar 1 milhão em prazeres, não me importava,
Podia ter tudo o que quisesse, tudo de mão beijada !
Pergunto-me porque é que não sou rico, porque é que tenho que viver assim,
O dinheiro mal existe, mas os problemas.. esses parecem não ter fim.
Correm-me pelas veias como se fosse o meu próprio sangue,
Fazem-me sonhar alto, fazem-me querer ter um Mustang !
Podia-me matar, e assim acabavam-se os problemas,
Mas aí só perdia, só me gastava com tantos esquemas
Esquemas de suícidio, esquemas de self-dead,
Dava um tiro na cabeça, como carrego no botão de uma retrete.
É assim a vida, cheia de sonhos e remorsos,
Uns vivem com dinheiro até a cima e outros nem têm bolsos


              -          Dιηιѕ                #          says (23:33):
*xii
*bem bruto
*essa está mesmo
*PUM

    A N D R É ,      says (23:42):
*Fds, só me apetece desabafar assim,
Mas isto é o que acontece quando vem tudo para cima de mim..
Fico engasgado, mal consigo respirar,
Começo a estremecer, começo a delirar.
Começo a querer isto, começo a querer aquilo,
Vou-me sentindo como cristo preso num poste de sigilo !

E depois quero desabafar em rimas, mas não consigo,
E assim salta-me o tecto, faz-me sentir um sem abrigo..
Tiram-me as palavras, e eu morro,
E acreditem que nunca pedirei socorro.
Hei-de morrer na minha, silenciosamente,
Fechar os olhos e observar a chama ardente;
Chama ardente que vai corroendo a minha alma,
Como um ácido sulfúrico que não acalma.
É assim que eu me sinto, ardento por fora e por dentro,
Como se estivesse a evaporar ao sabor do vento.
Eu sei que não se entende, mas é assim que eu me sinto,
E no final, só me apetece mergulhar em absinto..

    A N D R É ,      says (23:43):
*Desculpa lá dinis, mas não me consigo conter,
Isto é o que acontece quando começo a escrever.
Não consigo parar, não tenho quaisquer travões,
Só tenho o Iniciar e o botão das Confusões

    A N D R É ,      says (23:44):
*:S
              -          Dιηιѕ                #          says (23:44):
*bro nao tens de pedir desculpas
*eu percebo-te acredita

domingo, 3 de outubro de 2010

Novas palavras; Novas estradas.


O tempo está esquisito. Ora chove, ora faz sol; Não se decide quando à temperatura, deixando-nos também assim indecisos sobre o que vestir antes de sair de casa.
O meu mundo também está assim, indeciso. Mas já foi criado mesmo com esse propósito. Foi criado à base de dúvidas, decisões incertas que insistem em viver comigo, até ao resto dos meus dias. Eu não sou assim por natureza, não sou indeciso; não tomo decisões para que um dia mais tarde, me possa arrepender. No meu mundo, tudo vale a pena, tudo é feito com um propósito de deixar marca; No meu mundo, não existem decisões incertas. Mas ultimamente tem estado assim, nublado e cinzento, indeciso quanto ao seu futuro, e isso reflecte-se superficialmente. Parece que todo o trabalho que tive em afastar as dúvidas deste meu pequeno mundo, foi em vão, pois simplesmente desapareceu.
Ao início fiquei um bocado aquém do que se tinha passado, confuso, e rapidamente me transformei num mar de perguntas esfomeado em achar respostas.
As respostas eram sempre as mesmas, começavam todas pela mesma letra, continham todas as mesmas letras e acabavam todas com a mesma letra. Admito que ao início foi intrigante, pois todas aquelas respostas faziam sentido a todas as minhas perguntas, encaixavam-se na perfeição, como peças de um puzzle. E era mesmo assim que eu me sentia, um autêntico puzzle à procura da peça chave para puder montar o resto das peças, e foi isso mesmo que aconteceu. Foram-se associando umas às outras, mostrando-me uma estrada que eu nunca antes tinha atravessado. E tenho que admitir: Está a ser o caminho mais doce, mais amoroso, mais lindo que eu alguma vez atravessei na minha vida, e atenção que ainda só dei um passo na direcção deste caminho sensacional, que a meu ver permanece infinito.
Ainda permaneci vários dias parado no mesmo sítio, a decidir se deveria seguir em frente ou não, se deveria haver iniciativa da minha parte. No entanto, após ter dado este primeiro passo, ainda me pergunto se realmente fiz a decisão correcta e se deve continuar a haver iniciativas da minha parte. Presumo que isto vá ser passinho por passinho, mas não daqueles passinhos para que passe a gostar de os dar, mas daqueles em que já existe o orgulho em dá-los.
Nunca uma palavra destas me afectou tanto como me está a afectar, agora só espero que no futuro possa construir frases e textos com ela, para que me orgulhe deles tal e qual como me orgulho dela.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Poesia é dança; Dança é poesia.


Desenho obras de arte,
Pela via da poesia.
E espalho por toda a parte
Um pouco desta magia.

Se eu quiser,
Com as letras faço coreografia.
E nem é preciso eu me mexer
Para que elas dancem em sintonia.

Elas estão à minha disposição,
Estão sobre as minhas ordens.
Entregaram-se de coração,
Para dançarem que nem jovens.

As palavras são uma raridade,
Apesar de existirem à muito tempo.
Nasceram muito antes da antiguidade,
E de boca em boca vão crescendo.

Já dançam comigo há mais de um ano,
E não apresentam qualquer desgaste.
Enquanto dançam eu toco piano,
Um sonho tornado arte.

Pessoalmente,
Prefiro o amor lírico ao amor platónico.
E como consequente,
Não consigo escrever, pois o meu corpo já está afónico.


Poesia é dança; Dança é poesia.