Em tempos, quando era criança, tive, tanto nos dedos como no joelho e na orelha, aquilo a que se chama de "cravos", aquelas "bolhas"..
Era o que mais odiava na vida, não gostava, não gostava de me ver com aquilo, sentia-me esquisito..
Até um dia que os meus pais me disseram: "Meu filho. Reza, reza muito à Nossa Senhora, pede-Lhe que faça desaparecer esses malditos cravos, que tu tanto odeias."
A verdade, é que eu não acreditava em Deus, nem muito menos na Nossa Senhora, e ainda hoje não acredito.
Depois dos meus pais me terem dito aquilo, do dia para a noite, quando acordei na manhã seguinte, os tais "cravos", tinham subitamente desaparecido.. até me cheguei a questionar se o que me estava a acontecer, era algum sonho ou coisa do género, mas não.. era a realidade, aquelas coisas tinham-me desaparecido das mãos, do joelho e da orelha.
Mas eu conto o que aconteceu.
Não foi de nenhuma "fé" que (eventualmente) poderia, na altura, ter. Nada disso. Até porque eu não acreditava em nenhuma dessas "divindades".
Nessa mesma noite, eu tive um sonho/pesadelo. E ainda me lembro como se tivesse acontecido a noite passada. Nesse sonho/pesadelo, eu encontrava-me numa estrada, sozinho. Passado um tempo, começo a ouvir vozes, e a ver sombras. Eu não sabia o que era, tava assustado. Até que uma dessas sombras, se chegou atrás de mim, e me sussurrou as seguintes palavras:
- Tu queres que esses cravos desapareçam do teu corpo, não queres ?
- Sim quero, é o que mais quero nesta vida - respondi eu -
- Eu consigo fazer com que essas marcas desapareçam, mas para isso, terás que fazer um pacto..
- Que pacto ?!
- Se queres realmente que tais cravos, te desapareçam do corpo, se eu fizer com que isso aconteça, tu, terás que carregar um "fardo", para o resto da tua vida. E garanto-te, que não vai ser fácil..
E eu sem pensar duas vezes, aceitei tal "pacto". Eu nem sabia se aquilo estava realmente a acontecer, afinal, era só um sonho.. ou talvez um pesadelo ?
A verdade, é que na manhã seguinte, não tinha nada. Estava "livre" daquilo que mais me incomodava..
E ainda hoje, carrego tal "fardo", ainda hoje, todos os dias e todas as noites, para onde quer que vá, sinto-me observado, sinto-me "marcado" por olhares que eu sei, que não são pessoas, mas sim outra coisa.. Ainda hoje, eu me deito à noite, olho para o escuro, e vejo, sinto, que está alguém ali. Fico imóvel, com o olhar fixado para tal personagem, à espera que faça o mínimo movimento que seja..
Isto é bastante verdade, não estou maluquinho. Não estou a contar uma história que acabei de inventar. Não.. Isto aconteceu mesmo.
Mas também é verdade que, nós não estamos sozinhos neste mundo. Há mais alguma coisa, existe mais para além daquilo que conseguimos ver.
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Passo os dias neste quarto, fechado, e sem nada para fazer. Acordo, como, e sigo para o computador, onde nele, passo a maioria do meu tempo. Através dele, digito palavras que não consigo dizer pessoalmente, ou porque tenho vergonha, ou porque não quero, ou porque não me apetece.
As palavras são poucas, e devido a isso não tenho escrito nada, peço desculpa..
- Quero mais !
As palavras são poucas, e devido a isso não tenho escrito nada, peço desculpa..
- Quero mais !
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
(Meu pobre) Auto-Retrato

- Como se atreve a falar assim do Sr. Santos ?!
Como se atreve a falar dessa criatura,
Cujo se auto-domina dono dos seus cantos,
Cuja personalidade diz que é doçura ?
Difamar alguém, certamente não é puro,
Difamar alguém, onde cuja cabeça, reside o negro muito escuro..
Os seus olhos também são escuros, como um castanho acastanhado,
Fazem graças às visões, de quem tem um sorriso engraçado.
A sua postura física, corresponde à sua mentalidade,
Quer tenha 5, 10 ou 17 anos de idade.
Do mais simples que existe, ele permanece,
Imóvel e transparente, como quem nada quisesse..
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Mundo Imaginário

Por vezes, damos por nós a pensar que eventualmente, poderíamos viver num conto de fadas, como aqueles dos livros, em que tudo parece perfeito, em que tudo é perfeito..
Mas não nos podemos esquecer, que tudo isso é mentira, que tudo isso é fruto da nossa imaginação.
É apenas o nosso desejo a falar mais alto. É apenas o nosso desejo, que nos obriga a pensar, que nos obriga a imaginar, o que seria, viver num mundo perfeito. É apenas o nosso desejo a sonhar, o que seria, se vivêssemos num mundo onde nada é defeito..
Eu simplesmente poderia chegar ao pé de ti, e perto, bem pertinho do teu ouvido, sussurrar, se gostarias de viver, no meu mundo imaginário.
As palavras que te diria, seriam sagradas.
As palavras que te diria, seriam com certeza, adulteradas..
Rapidamente tu fechavas os olhos, e com as minhas palavras, imaginavas o mundo imaginário.
Rapidamente elas subiam e subiam, até finalmente se gravarem, na tua memória:
Imagina como seria, sentires as vibrações, vibrações do mundo inteiro,
Imagina como seria, sentires o meu espírito, e inalares o meu cheiro.
Imagina como seria, se nos meus lábios secos, pudesses sentir o meu sabor,
Imagina como seria, se nos meus braços imundos, pudesses sentir o meu calor.
Imagina como seria, se apenas com o meu olhar, pudesses viver num mundo de fantasia,
Imagina como seria, se apenas com a minha voz, pudesses ouvir a mais bela sinfonia.
Imagina..
Imagina..
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Sei para quem, mas não sei para onde
Caro Tio,
Dentro desta carta, residem algumas palavras que há muito fiz em tua honra.
Não te conheço e mal sei quem és, secalhar se nos cruzássemos numa rua, provavelmente não te iria reconhecer..
Descrever uma pessoa, talvez possa ser impossível,
Faz-nos rebaixar e descer o nosso nível.
Mostra o que, realmente sentimos dentro de cada um de nós,
Revela o nosso grito, revela a nossa voz.
A ti que vives nessas ruas poluídas,
Onde apenas existe mentiras e intrigas,
Eu me dirigo, com todo o meu saber.
Um homem sozinho, um homem abandonado,
Jogado para as ruas e posto de lado.
Nas ruas da violência, ele caiu no esquecimento,
Entrou em decadência e conheceu o sofrimento.
Aprendeu a viver, como um animal,
Deixou de ser quem era, deixou de ser racional.
Perdeu o seu toque, perdeu o seu carinho,
Esqueceu a sua família, esqueceu o seu sobrinho.
E agora envio esta carta, na qual o destinatário é desconhecido..
Dentro desta carta, residem algumas palavras que há muito fiz em tua honra.
Não te conheço e mal sei quem és, secalhar se nos cruzássemos numa rua, provavelmente não te iria reconhecer..
Descrever uma pessoa, talvez possa ser impossível,
Faz-nos rebaixar e descer o nosso nível.
Mostra o que, realmente sentimos dentro de cada um de nós,
Revela o nosso grito, revela a nossa voz.
A ti que vives nessas ruas poluídas,
Onde apenas existe mentiras e intrigas,
Eu me dirigo, com todo o meu saber.
Um homem sozinho, um homem abandonado,
Jogado para as ruas e posto de lado.
Nas ruas da violência, ele caiu no esquecimento,
Entrou em decadência e conheceu o sofrimento.
Aprendeu a viver, como um animal,
Deixou de ser quem era, deixou de ser racional.
Perdeu o seu toque, perdeu o seu carinho,
Esqueceu a sua família, esqueceu o seu sobrinho.
E agora envio esta carta, na qual o destinatário é desconhecido..
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Capa (invisível)
Debaixo desta capa (invisível) eu continuo, protegendo o meu ser, protegendo a minha pessoa.
É onde eu me sinto bem, é onde eu eternamente, me irei sentir bem. Não quero mostrar ao mundo quem sou, quero continuar aqui, escondido, debaixo desta capa (invisível) que só eu sei que existe.
As pessoas de fora, não me vêem a mim.. Vêem outra pessoa, vêem aquilo que eu quero que elas vejam. Porque apenas eu, sim, apenas eu e só eu sei, o que acontecerá se eu largar esta capa (invisível), que tanto me protegeu, que tantas vezes me fez acordar, e ver que o que se estava a passar, não era o mais certo..
Através dela, aprendi a viver, através dela, aprendi a ser como sou, e através dela, aprendi a ver, de que é que este mundo é feito, de que é que as pessoas são feitas..
Todos os milésimos, todos os segundos, todos os minutos, todas as horas e todos os dias, eu permaneço, escondido nesta capa (invisível).
A promessa foi feita, e agora perante tudo e todos, eu me ajoelho, e juro, que a minha promessa viverá para sempre: "Apenas largarei esta capa (invisível), quando uma pessoa (seja ela qual for), descobrir realmente quem eu sou. Que essa pessoa me desmascare em frente do mundo inteiro, e me faça ver, quem realmente é, esta pessoa, que se esconde cobardiamente, atrás desta capa (invisível).."
É onde eu me sinto bem, é onde eu eternamente, me irei sentir bem. Não quero mostrar ao mundo quem sou, quero continuar aqui, escondido, debaixo desta capa (invisível) que só eu sei que existe.
As pessoas de fora, não me vêem a mim.. Vêem outra pessoa, vêem aquilo que eu quero que elas vejam. Porque apenas eu, sim, apenas eu e só eu sei, o que acontecerá se eu largar esta capa (invisível), que tanto me protegeu, que tantas vezes me fez acordar, e ver que o que se estava a passar, não era o mais certo..
Através dela, aprendi a viver, através dela, aprendi a ser como sou, e através dela, aprendi a ver, de que é que este mundo é feito, de que é que as pessoas são feitas..
Todos os milésimos, todos os segundos, todos os minutos, todas as horas e todos os dias, eu permaneço, escondido nesta capa (invisível).
A promessa foi feita, e agora perante tudo e todos, eu me ajoelho, e juro, que a minha promessa viverá para sempre: "Apenas largarei esta capa (invisível), quando uma pessoa (seja ela qual for), descobrir realmente quem eu sou. Que essa pessoa me desmascare em frente do mundo inteiro, e me faça ver, quem realmente é, esta pessoa, que se esconde cobardiamente, atrás desta capa (invisível).."
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