quinta-feira, 15 de abril de 2010

És símbolo, és tentação..


Para mim, simbolizas as portas do inferno,
Simbolizas o meu ser mais demente.
Para mim, simbolizas as folhas de um caderno,
Que dão ignição à minha chama ardente.

Fazes-me arder com mais intensidade,
Cada vez que me dedicas o teu olhar.
Fazes-me rir com mais suavidade,
Por cada piada que jogas ao ar..

As capas do teu caderno, imundas,
Estão mergulhadas em águas de tentação.
As notas que reproduzem, profundas,
Dão vida à minha imaginação.

Lenta, lentamente,
Vais desfilando para fora d'água.
Arde, ardentemente,
Minha sereia apaixonada.

Transformas-te em humana,
Para que da tentação sejas amiga.
Dás vida à minha chama
Fazendo com que eu te persiga.

Despertas o frenesim
Que existe em qualquer homem,
Controlas-nos sem fim
E apoderas-te dos que fogem..

És o nosso fruto proibido,
E ao mesmo tempo, a desgraça de todos nós..
Por ti fico perdido
Mal ouço a tua voz..

Dessa tua voz saltam gritos,
Tocando uma simples sinfonia..
Encantando os meus sentidos
Com o nome: "A Mais Negra Melodia.."

És a pura tentação,
Que eu quero consumir..
Deixa-me entrar na tua prisão
Para nunca mais sair..

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Ainda permaneces nas minhas cartas


Como um peso morto,
O meu corpo caíu sobre o chão.
O barco que outrora, atracaste neste porto,
Marcou e rasgou o meu coração..

Depois de tantas milhas navegadas,
Aqui chegas-te e deixas-te a tua bandeira,
Bela e imaculada.
Trocámos palavras amadas,
Subimos juntos até à cimeira,
Da minha ilha aprisionada.

Chegas-te e aprisionei-te,
Meu símbolo de falsidade.
Sem querer, rasgei-te
E cortei-te na integridade..

Formas a forma do meu coração,
Dando-lhe o brilho de um diamante.
Mas, como ambos sabemos,
Nada dura para sempre e tu partis-te de rompante..

Cá, neste meu porto,
Deixas-te o teu barco,
Que simboliza a tua chegada.
Cá, neste meu corpo morto,
Eu nunca fiquei farto,
Nem mesmo da tua partida inesperada.

Agora, vou jogar as cartas da nossa vida,
Que simbolizaram a nossa vitória.
Que me fazem lembrar, da nossa frase mais querida:
- Juntos iremos vencer, juntos iremos fazer história !

domingo, 28 de março de 2010

Preso a ti


Sinto-me um escravo, preso neste amor.
Amor mais negro que me escraviza, que me prende cruelmente.
A ele, me entreguei de braços abertos, a ele, me escravizei por meros dialectos..
Por este amor negro decidi, que me iria apaixonar incondicionalmente, perdendo-me assim, escravizando-me loucamente.. Pergunto-me se, alguma vez, me irei conseguir libertar deste amor, que me escraviza , que me prende nestas correntes e que me obriga a aumentar cada vez mais, este negro sentimento..
Faço a questão, proponho a mim próprio, se algum dia, me irei conseguir libertar deste meu julgamento, se algum dia irei conseguir quebrar estas grades, que me comprimem cada vez mais..
Estou apaixonado por este meu ser repugnante, cruel e frio.
Obrigo-me a viver aprisionado, apenas por este amor, que acompanha desde o passado..
Não é nenhum ser feminino, antes fosse..
Também não é amor clandestino, pois se o fosse, não me sentiria assim, longe e sozinho..
Preciso tanto deste amor, que tanto odeio e que tanto venero.. preciso tanto deste sabor, que me sacia interiormente, que me faz perder a cabeça, deixando-me louco para toda a eternidade.

Não me consigo libertar
Desta prisão mais sinistra,
Que me consome sem recuar,
Que faz com que eu desista..

Realmente é constrangedor,
Pois nunca me conseguirei libertar..
Este, será sempre o meu amor
Pois mais vezes que eu o tente matar.

As tentativas já chegaram ás infinitas,
Um número que é de louvar..
Já destruí caras bonitas
Que eram de encantar..

Por ti, já fiz coisas impossíveis,
Que hoje não quero relembrar.
Por ti, já fiz coisas terríveis,
Que para sempre irei recordar.
Já te disse o que és, já mencionei o valor que tens para mim.
Agora, é a tua vez, de me dizeres o que sou para ti.

terça-feira, 23 de março de 2010

Abismo


Fotografia por: Nuno Ferro ( http://br.olhares.com/abismo_foto511295.html )

Debruço-me perante este abismo,
Escuro e aterrador.
Onde só existe maldade e sinismo,
Onde não existe nenhum amor.

Vou caíndo e caíndo,
Cada vez mais depressa.
Vou sentido e vou fingindo,
Que para a minha ferida, não existe qualquer compressa.

Ao mesmo tempo que vou caíndo, ouço os tambores,
Que produzem o som da liberdade.
Ao mesmo tempo que vou fingindo, cheiro os sabores,
Que me fazem fugir da realidade.

Lá em baixo, vejo um demónio, que das cinzas renasceu,
Meio doente, meio aleijado.
Devido a ele, todo o mundo estremeceu,
Com medo e fraquejado.

É estranho, pois o fundo parece espelhado..
Parece o meu reflexo, igual, mas desfocado..

Desta vez, a ele me irei unir,
Seremos como um só !
Desta vez, os dois vamos emergir,
Sem piedade nem dó.

Meu abismo mais que secreto,
És o meu refúgio entre a escuridão.
Sem ti, nada seria concreto
Nem mesmo a solidão..

Por fim, cumpro a promessa,
Que por ti me foi passada.
Entre nós, será secreta
E para sempre será sagrada..

sábado, 20 de março de 2010

Mania de escrever


Já estou farto de escrever,
Estas rimas sem sentido.
Sinto-me um zé ninguém,
Sinto-me um sem abrigo !

As rimas são sempre iguais,
É sempre a mesma treta..
É só rimas anormais
E é sempre a mesma letra !

Para quê me esforçar
Para fazer algo diferente ?
É que estou farto de escrevinhar
Sobre este caderno deprimente....

E, para quê desabafar,
Sobre algo delinquente ?
É que, acho que não vale apena falar
Se não sou eloquente..

Posso ficar um dia indeterminado, a tentar me expressar,
Até ficar rouco.
Posso até aumentar o meu legado, apenas para relatar,
Que escrevo, mas que isso faz de mim louco..

Acabarei aqui,
Depois de tantas letras retraçadas..
Pois acho que este será o meu fim,
Depois de tantas palavras desalmadas..

Agora, irei voar,
Para mais ninguém me ver.
Agora, irei parar,
Com esta minha mania de escrever..

sexta-feira, 19 de março de 2010

Sugado sem fim, escravo do mundo..


Lentamente, o mundo suga-me os sentimentos,
Deixando-me sem arranjo, deixando-me desconcertado.
Lentamente, aquilo que eu uso como mantimentos,
Acaba por desaparecer, acaba por ser sugado.

Apenas ficam vestígios, de um presente imperfeito,
Sem qualquer fundamento.
Fazendo assim, desaparecer os rodízios de um futuro sem defeito,
Sem qualquer consentimento.

Sobraram as cinzas,
Que agora no cinzeiro estão caídas..
De seguida, formaram-se as pintas
Que mais tarde se transformariam em feridas..

Sobraram as memórias,
Que nunca serão esquecidas!
Formando assim, histórias,
Que outrora já foram vidas.

Mágoas magoadas,
Negras da escuridão.
Cinzas amareladas,
De um presente sem paixão..

Minha caixinha de sugar,
Deixa-me viver descansado.
Já te disse, mas volto a citar:
- Daqui a nada estou morto, de tanto ser sugado !

Parai com tal feito,
Parai de me derramar em mágoas.
Já vos disse que sou imperfeito,
Portanto, parai de me pregar em tábuas.

Não sou nenhum Jesus Cristo,
Nem nada do que se pareça.
Já vos disse, mas insisto:
- Parai de me sugar a cabeça!

Parai de me converter,
Em lapsos de memória,
Já vos disse, mas volto a dizer:
- Não sou grande, não sou história..