quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Minha Pequena - Eva




Teus olhos acolorados,
São falésias de prazer.
Com tons acalorados,
São recifes a conhecer.

Ingénuo presente,
É o presente que inspiras;
Que vivas inocente,
Que diluas nossas iras.

Que teus olhos de cor escura,
De doce e pura luz,
Sejam algo, que perdura,
Na mente dos mais crus.

Que lhes dês vida; calor;
Vontade de viver.
Que sejas um símbolo de que o amor
Faz falta em todo o ser.

Que sejas para eles, e para elas,
O quadro de um museu;
Que sejas a tinta, de suas telas,
A guerreira do coliseu.

Desta arena, cinzenta,
Nevoenta e escura.
Dá-lhe luz, minha pequena, aumenta
A sua frescura.

Sorri, ri, faz sentir
Quem te rodeia.
Faz rir e faz sorrir,
Quem te presenceia.

Cresce mas sê criança,
Sê pequena mas sê enorme;
Floresce e dá esperança,
Sê única, uniforme.

Brilha minha pequena,
Sê humana genuína.
Sê forte, minha viena,
Sê a minha doce traquina. ♥

domingo, 8 de janeiro de 2012

Minha Mãe




Deitada na cama, vi a tristeza instalada,
Ver sofrer quem mais se ama é imagem complicada.
Olhei nos olhos, e uma lágrima lá nasceu,
Disse-lhe para não chorar mas a gota só cresceu;
Escorreu cara abaixo e como rasto, deixou cicatriz..
A sua pele luminosa virou uma prosa infeliz.
O sabor a mel da sua vida, ia desaparecendo gradualmente,
O ardor da despedida tornou-se evidente.
E agora aqui me encontro, frente a frente a um caderno,
A relatar sobre um frio que me transformou em Inverno;
A batalhar contra um rio, que galga hora após hora,
A lutar, a empurrar um sorriso que não quer vir cá para fora.
Nós já passámos por tanto: tantas discussões e zangas,
Já perdi a conta das vezes que arregassaste as mangas;
Das vezes que me gritaste, que te zangaste com as minhas asneiras,
Desculpa, minha Mãe, se em vez de orgulho te dei profundas olheiras..

A ti, minha Mãe, minha carne meu ADN,
Sei que estarás comigo por mais longe que eu reme;
Por mais tempo que eu fique, ou por mais tempo que eu vá,
Eu sei que estarás comigo, eu sei que estarás lá.
Tu és a minha base, um dos pilares do meu ser,
Aquela que me ensinou a importância de vencer;
Mas tal como a vitória, também me ensinaste a perder,
Que na derrota existe glória e que nela posso aprender!
Por ti posso ser tudo, ser aquilo que tu quiseres,
Por fi faço tudo porque és única entre as mulheres;
És aquela que me bate, mas que bate com carinho,
Aquela que me orienta quando eu não sei o caminho;
Aquela que me grita, mas que grita com amor,
Aquela que me ensinou, a vencer um vencedor.
Agradeço-te em rimas, sabendo perfeitamente que não é o suficiente,
E sei também, que se não fosse a tua ajuda eu era um mero delinquente;
Vivia na rua, sem tecto, sem roupas e sem ninguém,
Mas devido a ti, tenho alguém a quem chamo de ‘Mãe’!
Ensinaste-me tudo: a ser a pessoa que sou hoje,
Ensinaste-me a lutar e a não fugir para longe.

Muito obrigado, por me teres trazido a este universo,
Deste-me vida e por isso agradeço-te em cada verso;
Agradeço-te e prometo, que vou melhorar o meu progresso,
Mas por favor minha mãe, fica a meu lado, é a última coisa eu que te peço.. 

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Noite Fria




A noite já vai longa,
E eu, faço-lhe companhia ao relento.
A minha escrita já se prolonga,
À medida que sopra o vento.

Leves brisas suspiram,
Sossegam-me o coração;
Os meus pulmões já inspiram
E expiram inspiração.

Ao meu colo estão folhas finas,
Brancas e sem requinte;
Anseiam pelas minhas rimas,
Anseiam que eu as pinte.

E como um campo de flores,
As ondas vão desabrochando..
Vão soltando os seus sabores,
Nestas folhas, flutuando.

Pestanejo. Contemplo
Um desejo no horizonte.
Desenho uma ponte com exemplo
Das águas da minha fonte.

Mas sem respeito,
A noite tirou-me a caneta;
Proibíu o meu deleito
Em rimar o meu planeta.

Não se ficou. Impertinente,
Tirou-me também o caderno..
Proclamava que aquele quente
A libertaria de seu Inverno;

Desenrolou-o e docemente,
Parecia que cantava uma melodia..
Querida e eloquente,
Ia transformando a noite em dia..

Fez magia diante de mim,
E diante dela me curvei;
Prometeu ao frio dar fim,
E olhos nos olhos, a contemplei. 

sábado, 3 de dezembro de 2011

Bloco de Notas







Por entre as rimas,
Revelo segredos roucos;
Aos poucos, engordo as finas
Folhas de cadernos loucos.

Deposito verdades, vontades,
Prazeres dos meus sonhos.
Deposito manhãs, tardes,
Gritos do peito medonhos.

Enfadonhos encontros,
Aqueles que tenho comigo...
Duras visões, duros contos,
Discussões com o meu umbigo.

Tive reais contemplações,
Nos passados passados.
Em simultâneo, presentes lições
Em tempos mal conjugados.

Convulsões sentimentais,
Surreais desilusões...
Emoções paranormais
De irreais ilusões.

Em mim são memórias,
No caderno, lembranças.
Mas ambos, expiramos histórias
De frequentes mudanças.

Vivo mas pressinto,
Que um labirinto me esconde;
Falo com o que sinto,
Mas ele nem me responde;

Ego demasiado alto,
Para dizer seja o que for,
Mas sentimento em sobressalto
Não passa de escritor.

Tem que ser cantor,
Se quiser ser sentido;
Jà não basta escrever amor
Nos diários do ouvido.



Todos nós somos iguais/diferentes,
Cada um com o seu problema.
Já o meu, são os medos frequentes
Que me criam um dilema:

Um dilema que esfria,
Que escurece o meu planeta;
É o receio que um dia
Se acabe a tinta, desta caneta.

domingo, 20 de novembro de 2011

Vagueios


Dias. Acumulam-se dias atrás de dias, sem tinta alguma aproveitada. Textos atrás de textos que escrevo nesta minha mente, que no dia a seguir, se contradizem por completo. Suponho que tenha escrito por toda a minha cara, pontos de interrogação. Talvez seja por isso que me dói tanto olhar ao espelho. Talvez seja por isso, que me custa imenso olhar para dentro de mim. Os órgãos vitais que me comandam, aqueles que falam com a minha consciência, estão neste momento, em completa dessincronização. O de cor vermelha, emana uma vontade tremenda em partilhar uma paixão que já transborda fora do pote. No lado oposto tenho o de cor cinzenta, que quase que me obriga a procurar aquela pessoa que denomino como perfeita para mim. Se eu ao menos ainda soubesse onde ela eventualmente poderia estar, talvez este meu coração acalmasse.
Tento ao máximo, dar tudo de mim a todos os que me rodeiam. Tento manter contacto com todos, mesmo com aqueles que chego a não falar durante semanas. Tento fazer transparecer que está tudo bem, quando na minha realidade não está. Chego a dar por mim a escrever coisas no caderno que nem sei o porquê, de as ter escrito. Rasgo a folha e fico a olhar para a seguinte, a pensar o que vou escrever. Aproximo a caneta da folha quando mais uma vez, dou por mim a fazer o que realmente não quero.
Sempre me disse a mim próprio que queria viver uma vida diferente, ir para outro país e começar algo que nunca antes comecei. Ser um completo desconhecido de todos, e pouco a pouco ir conhecendo-os aqui e ali. Tenho a certeza que se o fizesse, iria encontrar o que me falta. Talvez aí, o número de folhas rasgadas diminuísse. Talvez aí, já não fosse preciso baixar o volume da música para conseguir ouvir os meus pensamentos. Talvez aí conseguisse ouvir os meus pensamentos na minha própria música, ou por outro lado, os conseguisse ouvir noutra pessoa.

domingo, 4 de setembro de 2011

Rhymes

Hoje em dia, é difícil criar algo novo,
É difícil agradar aos gostos do nosso povo;
Já está tudo feito, praticamente tudo inventado,
Inteligentemente pensado para que já nada seja criado.
Evoluímos à velocidade do som, sem pensar nas consequências,
E hoje vivemos entre um povo que já só vive de aparências.
Cheios de dependências: sufocam sem o habitual perfume;
Se não há dinheiro, pedem emprestado para beber o chá do costume.
É uma vergonha, não sei como é que somos assim,
Sei é que há muitos que desejavam os restos no fim.
E nós aqui, a viver à grande e à portuguesa,
A trocar valores essenciais por produtos de beleza.
Mas bem, não me serve de nada estar a criticar a multidão,
Não vou ter ganhos extra a não ser um bom serão;
Diverto-me a ver, mas também luto pelo impossível,
E às vezes nem suando conseguimos subir de nível.
Sou sincero: vejo-me preso nesta cave,
Enquanto uns vivem no topo, eu nem da cave tenho chave.
Tento ser criativo, mas o mundo já tem demasiado,
Está repleto de parvos que cantam um fado que nem é fado.
É complicado, navegar afastados do naufrágio,
Pois escrevemos uma rima e já afirmam que é plágio..
Mas que se lixe, se é para viver, então que se viva,
Tratem a vida como queiram, mas não como uma diva..