domingo, 23 de março de 2014

Here.

O relógio apita; são 7h da manhã.

Esta manhã.
Desta inquietante manhã, fresca. 
Esta brisa gélida que me enruga os dedos e que me irrita a garganta. A pele. Os ossos. Os olhos. O peito. Esta brisa gélida gelada de ninguém, gelada de alguém. De cem encontros, de cem mesas e de cem cadeiras, sem ninguém. De cem jarras mas, sem rosas. Sem água cristalizada e tratada como o céu que por cima de nós acorda.

Como eu gostava que assim acordasses. Com um braço e uma perna em cima de mim. Com os cabelos a fazerem-me comichão no queixo. Como eu gostava de te ver… só com uma t-shirt minha.
Diz alguma coisa. Grita com toda a tua força e deixa que o vento te traga até aqui. Deixa-me sentar-te na cadeira vazia. Não, deixa-me sentar-te na mesa em cima deste caderno. Jogar a caneta ao chão e com as minhas duas mãos, fazer pressão nas tuas cochas. Quero a tua impressão corporal nestas folhas. Não, quero-a nas minhas mãos. Que desenrugues os dedos e confortes a garganta. A pele. Os ossos. Os olhos. O peito. O meu peito.

Desculpa, não te conheço e está a ficar frio.


Vou voltar para dentro. Adeus.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Prettyounglady.


Esgoto-me toda a vez, que não te encontro.
És fora da lucidez mas é fora da lucidez que te gosto, e pronto.

Procuro-te onde me imagino estar, e é lá que te acho,
A caminho da luz Solar onde o caminho é pouco baixo.

Onde eu me encaixo, com os braços na tua cintura,
Cabeça na barriga para adormecer sem postura.

És quem mais dura, quem mais conheço,
Quem melhor conheço de formosura e quem mais leio, e não me esqueço.

Por quem amanheço, virado para o Sol atrás da colina,
Por quem adormeço sem saber da Lua na neblina.


Minha menina… como eu te gosto.
Como eu aposto que só a mim te encostas,
Como eu desgosto quando em mim não apostas.

Minha menina… 
Como eu gosto quando te abraças às minhas costas.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Veste-te, de ti.

A imensidão é imensa. Imensidade de uma dispensa que esvazia ao som do tique-taque, do relógio. De uma promessa de que se encheria, se completaria por quem me batesse à porta. Não qualquer quem mas o quem que melhor me fizesse, sentir bem. Sentir que também faz bem, ter vontade de preencher todas as prateleiras, desta minúscula dispensa. Sentir que ninguém é o quem que mais desejas, mais almejas ter.
Quero que me batas à porta. Que me dês a vontade de pegar na caneta, ou meter as mãos em cima deste teclado e sentir as teclas a serem pressionadas. A serem impressionadas, pela imensidão e o peso emocional que estes dedos carregam. Que esta pele respira.


Quero imenso ter-te como penso, desconhecida vida.

Quero saber da minha particularidade, em relação ao mundo. Desejo interiormente que todas as experiências sejam mais do que apenas sensoriais, neste meu ser particular. Neste meu ser único. Apela e agrada ao mais íntimo de mim ser consciente de como sou usado e ensinado a respirar, neste oxigénio. Talvez o pensar desta forma, particular, me ajude a solidificar a opinião com princípios básicos que recorrem a uma marionete biológica. Como se fossemos meros bonecos numa mesa de matraquilhos, ensinados a respirar. Chutamos a bola porque é esse o nosso instinto, fomos ensinados a repelir o perigo. Foi-nos esculturado o intuito de querer ganhar sempre, de ser até superior ao próximo, ao ser vivo da nossa própria espécie.
Debaixo do nosso tecto podemos ser quem somos. Mas o padrão, é sempre o mesmo. É sempre o mesmo, embora pensemos que somos todos seres únicos. Sujeitos únicos. Mas, o padrão é sempre o mesmo. É próprio de uma marionete. É uma particularidade.

Serei eu tão singular quanto a minha mais ínfima particularidade? 

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Súbitos Tremelicos

Poderei eu adormecer em noites destas?
Frescas horas da madrugada, que me puxam para fora dos sonhos e que numa força de dez homens, tendem em me abrir as pálpebras. Só para que as minhas íris não se esqueçam de ti. Só para que eu, não me esqueça de ti.

Poderei eu adormecer em noites destas?
Frescos suores, que enchem os meus sonhos cheios de água. Que os inundam, que os inundam de ti. Que me deixam o corpo submerso com o teu cheiro, inconfundível. Que apenas os lábios deixam secos. Que apenas os lábios, deixas secos.


Poderei eu adormecer em noites destas?
Frescos tremelicos e súbitos despertar que me fazem procurar ansiosamente, pela caneta e caderno. Pelo abrigo onde me protejo toda a vez que me encontro. Toda a vez que te encontro.
Estes tremelicos e súbitos despertar gelados que me dão ânsias, na procura por ti. Na procura em ti, por mim.


Não consigo ser mais sincero quando te digo que adoro, o que tens em mim. Quando me procuras quando passo demasiado tempo, sem te contemplar. Sem te cortejar. Sem bocejar aquando as nossas conversas, nossos textos. Esse bocejar que ao invés de me dar sono, me gratifica por saber que ainda te tenho durante só mais um bocadinho, antes do beijinho de boa noite. Antes do beijinho na testa, como tu mereces.
Como tu gostas.
Como eu gosto. 

Ai, como eu te gosto..

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Doce ou Travessura?

Porque para ser honesto fico estupectado, cada vez que te vejo. Só alimenta o meu desejo, de te querer conquistar. Mas, de que serve o desejo quando a coisa mais simples, que é falar, tem tendência a encravar? Estranho, devo dizer, não querendo dar a entender que todas estas palavras são repetidas nas várias direcções, porque não sou de transmitir sensações a cada par de corações, a cada rabo com tacões.
A cada sorriso com o lábio trincado, a imaginarem posições.
Disso tive às paletes; puras ilusões.
Demasiadas desilusões para me aventurar noutra aventura.
Se o que planeio não dura, para quê ser cabeça dura?
Já chega, digo eu.
Estou cansado de me estender e esticar por quem não deu. 
Por quem não quer ser meu.


quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Restless Nights

Não sou fácil de gostar. Nunca fui. Hoje às 2h da madrugada vejo isso, melhor do que alguma vez pensei que visse. Do que alguma vez pensei que era. O irónico, pelo menos para mim, é eu estar sempre a fim de tudo. De querer fazer tudo e ir a todo lado, sem inventar desculpas. Queres que vá ter contigo? Não tenho boleia mas espera, eu arranjo. Se chamam a isto de ser alguém fácil, então perdoem-me. Desculpem por me esforçar e querer demonstrar que, quero estar presente em tudo. Principalmente na vida de quem eu gosto. Nas ocasiões mais e menos importantes, nas rotinas do café diário ou até num jantar a três quando o resto do grupo não pode. Perdoem-me. Perdoa-me, por estar constantemente na expectativa de receber uma mensagem tua, embora saiba que não o vais fazer.
O facto de me esticar para todo o lado, é mau. Mas, pior que isso é só reparar nisso agora, às 2h da madrugada. Nesta humidade que paira no quarto, que abraça o meu subconsciente aconchegadamente… Digam-me: Porque é que, para ultrapassar estes arrepios, sou obrigado a vestir casacos e a agasalhar-me? Nunca a minha mente esteve tão enrugada como agora, tão imunda e submersa de questões, como agora.
Digam-me: Para quê estes desgastes mentais? Porque é que temos que guardar num cofre, aquilo que mais prezamos? Pergunto-me, se estamos todos conectados como realmente dizem; se somos filhos da terra… Porque é que não podemos olhar para tudo, com muito mais intensidade?
Perdoem-me por vos pedir isto, mas por favor, leiam e tentem perceber as entrelinhas.

02:17h, marca o relógio.
Preenchi mais uma página de apenas mais um, dos cadernos. Farão algum dia alguma diferença? Quem vai ler isto para além de mim, agora?


02:19h, boa noite.