sexta-feira, 28 de maio de 2010

Já não sinto o peito como sentia,
Cheio de amor e alegria.
Aceitei a mentira e neguei a verdade,
Aliei-me à escuridão e à saudade.

Diluí todos os sentimentos,
Com simples actos e pensamentos.
Apaguei todas as memórias e todos os momentos,
Aliei-me às punições e julgamentos.

Já não sei o que é o calor interior,
Já não distingo o desejável do tentador.
Agora só sei o significado da minha dor,
Arrebatadora e sem pudor.

Por onde deverei caminhar ?
Deverei lutar até me estancar ?
Deverei descobrir o que está a falhar,
Ou deverei antes.. desistir de me perguntar ?

Questões e respostas,
Que eu nunca irei adivinhar..
Jogos e apostas,
Que eu nunca irei ganhar..

Fico-me pela interrogação,
Confuso e desorientado..
Ainda procuro respostas no meu coração,
Mas esse.. há muito que vive abandonado..




Day 18 - A song that you want to play at your funeral


quinta-feira, 27 de maio de 2010

Cor da minha cidade


Já não tenho muros. Estão-se a desmoronar a uma velocidade louca, como se já não existisse o amanhã. Todos os muros defensivos que construí com amor e saudade, já não existem. Eu próprio já não os reconheço. Aquela cor viva e contagiante desapareceu. Deixou que a escuridão a consumisse, deixou-se pintar de preto; transformou-se no mais puro negro existente. Durante 18 anos, lutei e lutei contra a minha própria pessoa, mas parece que não foi suficiente. Hoje vejo que não foi suficiente. Hoje, no presente, olho para o passado e vejo que não era nada disto que eu queria para o meu futuro. Mas, não estarei a desejar demais? Serei eu que não me contento com o que tenho, ou será o apetite da minha mente devoradora que se está a apoderar de mim? Estarei eu a ofuscar as minhas respostas, ou serão as perguntas que me estão a enevoar? Não existem respostas possíveis para as inquestionáveis perguntas que já nascem maduras dentro deste meu ser. Não tenho soluções para o meu problema, se é que se pode realmente chamar um problema.
Não possuo o contra-ataque necessário para puder voltar a conquistar estes meus muros defensivos, se é que alguma vez foram meus..
Todas estas barreiras que criei dentro deste meu cérebro, todas as limitações que depositei na minha alma, estão hoje a sobressair. Estão a ganhar vida própria e já me começam a afectar interiormente.. Só espero é que consiga retê-las cá dentro, não deixando passar cá para fora. Mas não vou desistir, vou continuar a navegar neste rio vermelho, vou continuar a saltar de cidade em cidade, vou continuar a manter o equilíbrio entre a Mente e o Coração. Não é que a Escuridão não seja bem-vinda, muito pelo contrário. O problema é que se me alojo nessa cidade negra, ou melhor, se deixo que essa cidade se apodere destes meus campos, todos se afastarão e eu não quero isso. É devido aos que me rodeiam que luto contra o passado, continuando vivo no presente preparando-me para o breve futuro. É pelos que me rodeiam, que faço questão de repelir todas as minhas outras personalidades, moradores da cidade negra. É por eles que mantenho os soldados infinitos na linha de combate, protegendo a Mente e o Coração, cidades em que a Luz ainda reside. Cidades isoladas no meio deste meu deserto, cidades que ainda hoje lutam contra a pressão exercida pelas tropas da mais negra cidade. É por todos, que ainda suspiro para que os muros continuem em pé, é por eles, que hoje ainda sou o mesmo que conheceram ontem. Obrigado, meus soldados.





Day 17 - A song that you want to play at your wedding



quarta-feira, 26 de maio de 2010

Chama ardente


A concha já está gasta,
Gasta e transparente.
Não me mata mas devasta,
Afoga-me na corrente.

À medida que as ondas galgam,
Vão-me matando interiormente.
“Agonia”; É a língua que elas falam
Para chegarem à minha mente.

Querem-me destruir por fora
E queimar-me o interior,
Querem faze-lo sem demora,
Querem extinguir o meu calor.

Querem apagar esta chama ardente,
Que arde, queimando a minha escuridão.
Escondida mas eloquente,
Ela luta, protegendo o meu coração.

Luta incansavelmente,
Por um lugar na minha memória.
Não é pessoa nem é gente,
É a chama da minha história.




Day 16 - A song that you listen to when you’re sad

Não ouço música quando estou triste..

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Vocês são espectaculares

Há uns meses atrás, em Novembro, criei este pequeno espacinho. Criei com intenção de puder demonstrar alguns dos meus trabalhos, e também na oportunidade de ler outros feitos por outras pessoas. Mas sinceramente, nunca pensei que um dia poderia olhar para trás e dizer que tive a oportunidade de conhecer pessoas fantásticas, através da blogosfera. Até agora, nunca me desiludi com as pessoas que conheci, especialmente com três em particular, em que também tive oportunidade de aprofundar esse conhecimento. Mas não são só essas três pessoas de que me orgulho bastante de ter conhecido, mas sim o vasto conjunto de seguidores que tenho aqui ao lado direito, que fazem questão de me seguir e comentar os meus trabalhos, e eu, de certa forma, faço o mesmo e com bastante prazer.
Tanto a Maria Eduarda, como a Ana e a Daniela, são as que melhor conheço neste momento. A Maria é espectacular, desde o momento em que li um dos seus trabalhos reparei que era uma grande mulher. Não vou estar aqui com pormenores, pois ela sabe bem o que disse e o que não vou dizer aqui.
A Daniela e a Ana, são outras duas raparigas espectaculares que gostei imenso de ter conhecido melhor. Também tive a oportunidade de conhecer a I, a Liliana, a Alexandra, o Hugo, a Débora, a Jú, a Beatriz, a Ana Carolina, a Niqui, a Isabel e a Patrícia são os/as seguidores/as que se destacam mais, pelo menos a meu ver. Se me esqueci de alguém, desculpem, não foi por mal. Agradeço a todas as pessoas do fundo do coração, pois em parte, foi através de todas elas que nasceu a inspiração em mim e uma vez ou outra, lá me conseguiram animar o dia. Obrigado pelos vossos textos magníficos e pelas vossas palavras espectaculares, e como é claro, também pelo vosso apoio constante.

Vocês são espectaculares, obrigado.





Day 15 - A song that you listen to when you’re happy



domingo, 23 de maio de 2010

A Poesia (?)

A Poesia ?
Bem, essa é espectacular.
Transformou-me mais do que queria
E meteu-me a sonhar.

Mudou-me por completo,
Enchendo-me com amor, com afecto.
Pintou-me a alma e pintou-me a vida,
Aquela que eu achava que estava perdida.

Que morreu várias vezes,
Abandonando este meu corpo, mutilado.
Mutilado com certeza e coragem,
Sendo julgado e afastado, para a prisão do passado.

Apareceu ela, descendo com um vestido branco, encadeando-me os olhos de tanto brilho que trazia com ela. Simplesmente fantástico, uma beleza pura, mais parecia um chamamento. Foi esta a senhora poesia, que me salvou do julgamento. Entrou na minha cela aprisionando-me num caderno, juntamente com letras e palavras. Onde a caneta era gigante, possuindo o poder de transformar páginas em branco, em histórias lendárias, que um dia passariam a ser ditas de boca em boca. Transmitidas de mente em mente, de geração para geração.
Com ela, trazia também aquele sorriso que hoje ainda me sorri, mas que sorri no escuro. Um sorriso grande, como nunca vi e que me aguarda para lá do muro. Que me protege da luz, da imensidão que ainda hoje me assombra. Aquela que me quer levar com ela, separando-me da escuridão. Essa que diz que quer transformar a própria luz ainda mais brilhante. Mas eu pertenço à escuridão, faço parte dela. Por isso volto a repetir o que ainda não disse:
Amo a escuridão, como amo a poesia. É de certo uma comparação, que toda gente discordaria. Mas pronto, eu sou eu, juntamente com a minha mente, delinquente.



Day 14 - A song that you listen to when you’re angry

Não ouço música quando estou zangado..