terça-feira, 8 de junho de 2010

1st Part

Outrora possuía paredes de cristal,
E colunas de betão.
Paredes que me protegiam do mal,
E colunas que sustentavam a escuridão.

Mas tanto o mal como a escuridão,
Foram-se alastrando cada vez mais.
Foram subindo pelo betão,
Contaminando todos os meus cristais.

Poderia ficar horas infinitas,
A escrever sobre as minhas protecções;
Mas nem estas palavras queridas
Te diferenciam perante milhões.

Ainda não existem tais palavras,
Capazes de te descrever,
Talvez eu um dia as crie,
E a partir daí, cresçam amadas e com vontade de viver.

É verdade que já me destruíste,
E que me deixaste sem reacção.
É verdade que já me feriste
Mas só superficialmente, e não o coração.

Sim, falo de ti,
Minha escuridão.
Eu prometo-te, que se depender de mim,
Nunca, mas nunca serás negação.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Refúgio validado.


Não vale apena escrever textos onde as palavras são sempre as mesmas, mas ditas de forma diferente. É sempre tudo igual: Os mesmos pretextos, as mesmas lamúrias, os mesmos desabafos. São escritos de forma diferente, mas a base primária, é sempre a mesma.
É exactamente isso que preenche aquele caderno, podre e rasgado, já cansado da variedade de tintas que lhe sujam as belas folhas. Encostado a um canto, com pó por cima da capa, vai tossindo a cada suspiro que despejo ao ar. Mais parece que se está a afirmar, a querer que o ouçamos, a querer que lhe troquemos as folhas borradas por uma história nova. É disso que o caderno precisa, de uma história nova. Daquelas ardentes e flamejantes que fervilham por todas as páginas. Tal e qual como as primeiras páginas que recebeu à uns anos atrás, mais precisamente à 18. Foi-se preenchendo e preenchendo cada vez mais, até hoje. Aquele caderno que eu pensava que teria um prazo de validade infinito, fechou-se hoje a cadeado. Não me deixa escrever mais nada, nem sequer tentar apagar aquelas letras imundas, que envenenam todas aquelas frases que outrora foram escritas.
Tudo desaparece, nada fica para sempre. As promessas do confidente e da melhor amiga, esvoaçam agora pelo ar. Essas que outrora se alojaram cá dentro, mas não de forma firme. Hoje sinto que não vieram com intenção de ficar, mas sim com a intenção de me iludir e de me fazer crescer. Odeio-vos e amo-vos por isso, meus aldrabões de primeira classe! É claro que sem a melhor amiga nunca poderia desabafar com o confidente, é claro que sem a inspiração, o caderno tornava-se inútil. Coisas vêm e coisas vão, assim como algumas partem e outras ficam. Cadernos como àquele garanto que já não existem, e inspirações como a rainha que vive cá dentro de mim muito menos. Provavelmente precisam de descanso, todas aquelas batalhas desgastaram:

As letras são o meu refúgio,
O meu esconderijo e o meu abismo.
Desaguo nelas como um dilúvio
Capturando a verdade e o realismo.

Navego para lá do muro,
E resolvo cada adivinha.
Faço do caderno o meu porto seguro,
E da inspiração a minha rainha.


(…)

domingo, 30 de maio de 2010

Day 19 - A song that makes you laugh








Day 20 - Your favorite song at this time last year


sexta-feira, 28 de maio de 2010

Já não sinto o peito como sentia,
Cheio de amor e alegria.
Aceitei a mentira e neguei a verdade,
Aliei-me à escuridão e à saudade.

Diluí todos os sentimentos,
Com simples actos e pensamentos.
Apaguei todas as memórias e todos os momentos,
Aliei-me às punições e julgamentos.

Já não sei o que é o calor interior,
Já não distingo o desejável do tentador.
Agora só sei o significado da minha dor,
Arrebatadora e sem pudor.

Por onde deverei caminhar ?
Deverei lutar até me estancar ?
Deverei descobrir o que está a falhar,
Ou deverei antes.. desistir de me perguntar ?

Questões e respostas,
Que eu nunca irei adivinhar..
Jogos e apostas,
Que eu nunca irei ganhar..

Fico-me pela interrogação,
Confuso e desorientado..
Ainda procuro respostas no meu coração,
Mas esse.. há muito que vive abandonado..




Day 18 - A song that you want to play at your funeral


quinta-feira, 27 de maio de 2010

Cor da minha cidade


Já não tenho muros. Estão-se a desmoronar a uma velocidade louca, como se já não existisse o amanhã. Todos os muros defensivos que construí com amor e saudade, já não existem. Eu próprio já não os reconheço. Aquela cor viva e contagiante desapareceu. Deixou que a escuridão a consumisse, deixou-se pintar de preto; transformou-se no mais puro negro existente. Durante 18 anos, lutei e lutei contra a minha própria pessoa, mas parece que não foi suficiente. Hoje vejo que não foi suficiente. Hoje, no presente, olho para o passado e vejo que não era nada disto que eu queria para o meu futuro. Mas, não estarei a desejar demais? Serei eu que não me contento com o que tenho, ou será o apetite da minha mente devoradora que se está a apoderar de mim? Estarei eu a ofuscar as minhas respostas, ou serão as perguntas que me estão a enevoar? Não existem respostas possíveis para as inquestionáveis perguntas que já nascem maduras dentro deste meu ser. Não tenho soluções para o meu problema, se é que se pode realmente chamar um problema.
Não possuo o contra-ataque necessário para puder voltar a conquistar estes meus muros defensivos, se é que alguma vez foram meus..
Todas estas barreiras que criei dentro deste meu cérebro, todas as limitações que depositei na minha alma, estão hoje a sobressair. Estão a ganhar vida própria e já me começam a afectar interiormente.. Só espero é que consiga retê-las cá dentro, não deixando passar cá para fora. Mas não vou desistir, vou continuar a navegar neste rio vermelho, vou continuar a saltar de cidade em cidade, vou continuar a manter o equilíbrio entre a Mente e o Coração. Não é que a Escuridão não seja bem-vinda, muito pelo contrário. O problema é que se me alojo nessa cidade negra, ou melhor, se deixo que essa cidade se apodere destes meus campos, todos se afastarão e eu não quero isso. É devido aos que me rodeiam que luto contra o passado, continuando vivo no presente preparando-me para o breve futuro. É pelos que me rodeiam, que faço questão de repelir todas as minhas outras personalidades, moradores da cidade negra. É por eles que mantenho os soldados infinitos na linha de combate, protegendo a Mente e o Coração, cidades em que a Luz ainda reside. Cidades isoladas no meio deste meu deserto, cidades que ainda hoje lutam contra a pressão exercida pelas tropas da mais negra cidade. É por todos, que ainda suspiro para que os muros continuem em pé, é por eles, que hoje ainda sou o mesmo que conheceram ontem. Obrigado, meus soldados.





Day 17 - A song that you want to play at your wedding



quarta-feira, 26 de maio de 2010

Chama ardente


A concha já está gasta,
Gasta e transparente.
Não me mata mas devasta,
Afoga-me na corrente.

À medida que as ondas galgam,
Vão-me matando interiormente.
“Agonia”; É a língua que elas falam
Para chegarem à minha mente.

Querem-me destruir por fora
E queimar-me o interior,
Querem faze-lo sem demora,
Querem extinguir o meu calor.

Querem apagar esta chama ardente,
Que arde, queimando a minha escuridão.
Escondida mas eloquente,
Ela luta, protegendo o meu coração.

Luta incansavelmente,
Por um lugar na minha memória.
Não é pessoa nem é gente,
É a chama da minha história.




Day 16 - A song that you listen to when you’re sad

Não ouço música quando estou triste..