sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Meu livro, meu livrinho,

Escrevo para ti meu livro, meu belo livrinho.
Estou-te a escrever num mero livro, num mero livro em branco. Peço-te desculpa por te estar a incomodar, por estar a perturbar o teu espaço, por estar a perturbar o teu silêncio. Apenas queria avisar, escrever-te aliás, que estou seriamente a pensar em escrever um livro, e até já tenho um tema. Vou fazer uma história, sobre um rapaz que viva nos seus sonhos, ou seja, a sua vida não era realmente a sua vida, era, porém, o seu sonho. Só vivia realmente quando sonhava. Tudo o resto era um sonho para ele, menos os seus sonhos, isso para ele, era viver !
Ou talvez deva fazer sobre um rapaz, que vivia nos sonhos de outras pessoas ? Que só ganhava vida quando os outros sonhavam ? Essas pessoas faziam da vida dele, os seus próprios sonhos.
Sobre qual deverei fazer ? Dás-me a tua opinião ? Podes aconselhar-me ? Se o conseguires fazer, agradeço-te imenso, pois estou um bocado duvidoso, apesar de ser uma pessoa decisiva e sem problemas de escolha.. Se puderes, por favor responde.

P.S(Não me importo, se me deres opiniões tuas.)

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Puzzle


Com pedacinhos de cartão
Faço mosaicos de uma vida,
Montando uma escuridão
Que em mim está perdida..

Mas.. para quê escrever palavras
Das quais ninguém gosta ?
Para quê descrever visões macabras
Que dia e noite dão à costa ?

Palavras já outrora silenciadas, desaguam agora, aqui,
Palavras nunca mencionadas, flutuam, mas agora sem ti.

Transformo pequenas partículas
Em pequenas e médias frases,
Tento juntar pequenas gotículas
E tento fazer aquilo que tu fazes.

Abres-me diversas portas e mostras-me o futuro,
Ensinas coisas novas a este pobre imaturo.
Mas isso, realmente não interessa,
Não para um ser como eu, que espera sem pressa.
Posso esperar. Posso esperar neste ar irrespirável
E dizer que sou apenas, um objecto descartável.
Este mundo está perdido, coitadinho do meu ser,
Sou imundo e sem sentido, pois caminho sem saber..

E com o tempo, lá morri.. Morri e o puzzle ficou incompleto,
Não fiz nada de geito, a não ser este mero dialecto
Que fez largar suor e lágrimas ensaguentadas
Nunca chegando a montar a minha vida,
Repleta de pedras.. e meras calçadas..

Esta, é chamada a "história do pianista"
Cheia de amor e ilusão,
Esta, é chamada a "história ilusionista"
Cheia de calor e tentação..

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Estátuas


Como uma explosão nuclear
Atingindo alturas inesperadas,
Nós permanecemos neste lugar
Como umas estátuas inacabadas.

O corpo e o rosto
Ainda estão por acabar,
Pois fazer o sol posto
Não é algo fácil de se desenhar.

Nestas estátuas sem vida
Desenho almas de vidas passadas;
Com cada alma mais perdida
Que me deixa as mãos cansadas.

Por entre estes olhares arrendondados
Repletos de angústia e de mágoa,
Neles são contornados
O espelho de cada estátua.

Negar os acontecimentos
Desta pobre realidade,
É negar os sentimentos
Destas almas sem vaidade.

E como o pó viaja através do vento,
Ali ficaram, tipo estátuas, sem qualquer acabamento..

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Hoje, fico em casa.

Hoje decidi ficar em casa.
Acordei de manhã, com uma dor de garganta que já se tinha arrastado por todo o fim-de-semana. Usei essa mesma dor, para servir de pretexto para me deixar ficar em casa, para me deixar ficar na cama, o resto do dia. Não me apeteceu puxar os lençóis para trás, e levantar-me para ir tomar banho, seguido de vestir-me e fazer a mala para a escola, para dar início a mais uma semana monótona. A minha mãe bateu à porta, entrou, e perguntou-me:

- O que é que ainda estás a fazer deitado nada cama ?! Olha que já são 8.00h ..
- Acho que vou ficar em casa hoje, a dor de garganta ainda não melhorou, e como vês, mal consigo falar .. - respondi eu, com um tom de voz roco e baixinho. -
- Hmm.. Está bem, está bem, fica lá então, mas só por hoje ! - disse a minha mãe, já conhecendo as minhas manhas e percebendo logo que não me apetecia, levantar-me daquela cama. -

A porta fechou-se e fechei os olhos, para tentar dormir mais um bocadinho, mas o telemóvel tocou por volta das 9.00h (hora que normalmente, se dá início às aulas naquela escola). Vi que era um colega meu, que possivelmente estaria preocupado em saber a razão pela qual ainda não havia ter visto, a minha pessoa. Não atendi, não me apeteceu falar com ele. Mas ele não desistiu. Por volta das 10.30h (hora do intervalo da manhã), telefonou outra vez, e mais uma vez, não atendi. Adormeci, e só voltei a acordar lá pas 15.00h.
Foi bom, ter ficado em casa, ter feito o meu próprio fim-de-semana prolongado.
Foi bom, ter aumentado para 3 dias, o silêncio de um silencioso fim-de-semana.
Foi bom (:

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010


E cá estou eu, mais uma vez, entrei, sentei-me, e em vez de tirar o caderno da respectiva disciplina, tirei outro ao acaso e comecei a escrever. Mais uma vez, deparo-me que estou completamente ausente daquilo que se está a passar dentro desta sala de aula, das conversas que estão a decorrer, das gargalhadas, das "boquinhas" que normalmente estão presentes em todas as aulas.
Estou ausente do habitual dia-a-dia decorrente nesta sala.
Sinto o corpo morto, leve como uma brisa inexistente. Sinto que estou numa luta constante, contra os meus próprios olhos, que lutam constantemente contra a minha vontade de querer que se mantenham permanentemente abertos, pelo menos até ao final da aula, para não levar uma falta desnecessária ou atrair atenções indesejadas.
Sinto a cabeça pesada, como se usasse uns brincos com umas 200 toneladas, cada um.

(..)

Finalmente, encostei o corpo à parede, fechei os olhos e encostei a cabeça à minha própria mão. Já não quero saber se levo falta ou que podem gozar comigo, por pensarem que posso estar a dormir. Quero sim, estar ausente desta monotonia, deste habitual dia-a-dia, que aos poucos, vai-me comendo.
A todo o milésimo, a todo o segundo, a todo o minuto e a toda a hora, sinto que estou a ser comido por esta miserável monotonia, e as dentadas são cada vez maiores, de dia para dia ..

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Páginas


Viro, viro, viro e vou virando páginas de uma vida, situadas num caderno imaturo, ainda por crescer. Crescer o seu número de páginas, crescer o seu vocabulário, e crescer o seu número de momentos que nele estão escritos, o número de inúmeras situações, que (ainda) estão para acontecer, que (ainda) espero que aconteçam.
Posso esperar e esperar um indeterminado tempo, à espera que tal livro se preencha, posso esperá-lo não fazendo absolutamente nada. Ou então posso fazer que tais páginas ganhem "cor", escrevendo-as eu mesmo:

Nestas páginas brancas
A escrita é iniciada;
Um escritor misterioso,
Uma escrita codificada.

Para o papel é transmitido,
A angústia do escritor;
Rimas, de certo, com sentido
E que explodem com ardor.

Nestas páginas traçadas
Com um azul azulado,
Escrevo memórias falhadas,
Que eu não consigo pôr de lado.

A intensidade da escrita é tanta
Que o papel é perfurado,
Só que esqueci-me que a tinta era branca..
E isso deixou-me descontrolado;

Acabei por partir a caneta
E rasgar estas páginas,
Elas reagiram à minha fúria
Transbordando suas lágrimas..