sexta-feira, 7 de maio de 2010

Não me percebo, não me entendo.


Estou sentado sobre uma ponte,
De manga curta e ao relento.
Os meus olhos galgam o horizonte,
À medida que escuto o vento.

Estou aqui, sentado,
Ao sabor do sentimento.
Procuro esconder o passado,
Procuro amar cada momento.

Tento fingir que nada se passou,
Escondendo-me aqui, nas paredes desta casa.
Aquela cicatriz que me marcou,
Vai crescendo e nunca mais passa.

Não percebo,
Não entendo.
Este fardo que carrego, pesado e inexplicável,
Vai-me matando a cada dia,
E a cada dia vou morrendo,
Cada vez mais.
Não percebo,
Não entendo.

Faço-me de ignorante,
Semeando tempestades na minha mente.
Aquele ser, que é falante,
Vai-me mentido, e eu tenho que mentir a toda gente.

Relata que já morri
E que já moro entre o inferno.
As palavras que nunca vi,
Mentiram, e aprisionaram-me neste caderno..

As palavras que aqui relato,
São inimigas do meu fardo.
Protegem-me do internato,
Mas aprisionam-me, nas paredes deste meu quarto..

Já não tenho tinta suficiente
Para descrever esta minha dor..
Agora, a tempestade na minha mente,
Vai destruir, cada reservatório do meu amor..

Peço desculpa às minhas rimas,
Mas vou continuar a lutar.
Chamarei a coragem, para interferir nas minhas vidas,
E aí, quando conseguir, cá voltarei, para vos voltar a encantar..


terça-feira, 4 de maio de 2010

Tempestade

"O tempo está bera lá fora.
O grave barulho do vento, que embate naquelas árvores de pano, vai-se tornando cada vez mais agudo, cada vez mais insuportável de se ouvir. As folhas finas, que esvoaçam ao sabor da suave turbulência, vão caíndo, cada vez com mais violência, degradando os trilhos que arduamente, construí durante toda a minha vida. As nuvens pintaram-se de cinzento, fazendo brilhar o céu, que desta vez decidiu mascarar-se de negro. Os relâmpagos vão sendo cada vez mais intensos. Esses que se espalham no cimo daqueles montes, iluminando este ambiente escuro que ronda esta minha casa de cartão, que já está bastante danificada devido aos furacões que por aqui moram. Moro no meio de uma tempestade.. mas não me importo que tudo isto me incomode, só pelo simples facto de que adoro tempestades. De sentir a chuva torrencial sobre este meu telhado, de ver espirais de vento e estrondos estridentes luminosos.
Já há muito tempo que não vinha cá, e vendo bem, tudo parece igual, e nada parece diferente.."

- Acho que vou parar por aqui, Sr.Doutor.. :
Sinceramente, gostaria de puder falar sobre todas as minhas vidas,
Gostaria de puder contar toda a minha história.
Mas, não tenho suficientes rimas
E muito menos boa memória.


- Não faz mal André, eu compreendo. Mas antes de terminarmos a nossa sessão, gostaria de lhe fazer algumas perguntas: Nessa história que o menino me contou, que sítio tão negro e hostil é esse ?
- Penso que seja na minha mente, Sr.Doutor..
- Referiu também, que tudo isso já se tinha passado há algum tempo.. quando exactamente ?
- Ontem..

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Desejo..


Voar.


Esse é um dos meu dos desejos, levantar voo e voar por um tempo indeterminado, sem destino. Quero voar descoordenado:

Voar para fora deste meu corpo,
Voar para fora desta minha mente.
Desenhar o meu próprio porto,
E amar toda a gente.

Quero ter o poder de bater as asas,
E voar lado a lado com a minha alma.
Quero puder ter asas largas,
E fugir para quem me acalma.

Quero deixar de ser o réu,
Para puder julgar os que me julgaram.
Mas só voando sobre o céu
Poderei calar os que de mim falam.

Quero puder voar para o presente,
E mudar o que de mim está atrasado.
Quero-me libertar desta corrente
Que me prende no passado..

Quero ter o poder de voar,
E saber controlar este meu corpo.
Corpo que sempre me quis matar,
Que sempre me quis ver morto..


Quero voar, como sempre soube..

domingo, 2 de maio de 2010


Já lá vão as horas. Já lá vão os tempos em que fazia calor e a luz brilhava. Já lá vão os tempos em que me sentia quente e para onde quer que olhasse, via tudo a brilhar. O Sol decidiu partir. Ou terei sido eu que o mandei ir embora ? Não sei.. já não sei de nada. Apenas sei que agora, continuo a ver a luz brilhar, mas desta vez é o brilho da Lua, que já esvoaça bem alto naquele céu negro. Também sei que agora, em vez do calor que me fazia suar, sinto o frio, que me congela cada osso, cada pedaço de carne, cada centímetro de pele. Que me congela a alma. Revolução, acho que é a palavra mais indicada que encontro para definir este meu imaginário. Tenho cada vez mais certezas, de que, a cada dia que passa, vou ficando para trás, com distâncias cada vez maiores, que separam o avanço deste nosso mundo, com a vagareza deste meu ser. Pois cada dia que passa, vejo o mundo ficar cada vez mais cinzento, e esse cinzento vai crescendo cada vez mais, à medida que os dias se transformam em noites. Estarei a ver correctamente ? Não será tarde demais, que já confundo os campos desta minha mente, com os campos deste nosso mundo ? É capaz. Já devo estar cego. Deve ser por essa mesma razão, que vejo tudo mais nítido, com mais clareza. O lógico seria que, à medida que vamos perdendo a visão, vamos confundindo tudo, sem ter certezas de nada. Mas eu não. Devo ser o contrário de toda a gente, deve ser por isso que estou perdido no tempo. É capaz. Mas não deve ser do tempo. Devo é estar perdido de mim próprio, pois já nem me reconheço. Secalhar nunca me conheci realmente, e só agora estou a conhecer. Mas não faz mal. Desde que não magoe as outras pessoas, não faz mal.
Já me fizeram tantas perguntas, estranhas e bizarras. Mas estranho foi fazerem-me uma pergunta que fugia à regra dessas mesmas estranhas e bizarras perguntas que constantemente recebia, que de uma certa forma, até me deixou espantado:

- Não tiveste medo de te perder no tempo, e ainda assim, aqui continuas. Não tiveste medo de te magoar a ti próprio, só para beneficiar as outras pessoas, e ainda assim, aqui continuas. Mas, não tens medo de morrer ?
- Não. O medo de me perder no tempo, de me magoar a mim próprio, de não ter coragem para continuar, é muito pior do que ter medo de morrer. E eu não me posso dar ao luxo de ter luxúrias dessas, não nestes tempos que correm, em que tudo está em constante transformação. E vou-te dizer uma coisa, meu velho: Nós não nos podemos perder no tempo nem nos podemos magoar a nós próprios, e muito menos devemos perder a coragem. Só o devemos desejar apenas a uma pessoa neste mundo, e essa pessoa somos nós. Só nós devemos pagar o preço de nos perder-mos eternamente. Acredita meu velho, acredita nas palavras deste pobre jovem imaturo, pois secalhar, já vivi mais do que o senhor alguma vez viveu. E acredite, que já espalhei mais dor do que amor. Amor esse que continua perdido em mim, à espera de se soltar. Acredite, que um dia voçê vai ser como eu, pobre, jovem e imaturo.

(...)

sábado, 1 de maio de 2010

Hoje e para sempre


Hoje estou muito seco,
Não consigo fazer nenhuma rima.
De nada me lembro e de tudo me esqueço,
Pois sinto vários arrepios a subirem-me pela espinha.

Desfocam-me a visão
Por momentos indeterminados.
Escurecem-me o coração
E deixam-me os sentidos compactados.

Sinto o meu corpo mole,
Como se tivesse a andar em corda bamba..
Já nem em mim tenho controle,
Já tudo em mim descamba..

Tanto amor e tanto ódio
Que ainda tenho por espalhar..
Um caminho longo até ao pódio
Ainda tenho que caminhar..

Mas não sei.. não sei se serei capaz
De vencer e ultrapassar as minhas capacidades.
Pois já não sei.. se este mero rapaz
Tem o que é preciso, para criar felicidades..

(Os arrepios pararam, acho que já se instalaram em todo o meu corpo. Já não sinto os ossos como sentia antes, rijos e cheios de força. Já não sinto o sangue como sentia antes, ardente e flamejante. Já não sinto os meus sentidos como sentia antes, apurados e aguçados. Já não.. já não sinto nada como sentia antes. Já não me sinto mais em mim, acho que fugi para um lado qualquer.. Devo andar por aí, perdido, a esvoaçar entre as mentes mais dementes. A enganar e a encantar aqueles mais eloquentes, apesar de eu não ser um deles. É pena, pois ainda tenho tanto amor e tanto ódio por espalhar. Mas não faz mal, não faz mal enquanto eu ainda acreditar que ainda existe por aí, alguém, que saiba assentar esta minha alma selvagem, neste meu corpo ensinado, amaldiçoado. Um dia vou gritar, vou gritar entre o silêncio e quebrar estas paredes de vidro, que para mim projectam a sua força, à espera que eu desista.. Um dia vou rebentar, com as escalas deste universo. Um dia vou-me apaixonar, e vou deixar este mundo submerso, de ódio e de paixão, que me converte em ilusão e que me prende, nestas paredes pintadas de escuridão. Um dia.. um dia.)

terça-feira, 27 de abril de 2010

Olhos cor de mel


Não sei como..

Mas esses teus olhos de mel,
Conseguem penetrar sobre os meus..
Agora, deixa-me que escreva neste papel
Sobre esses olhos que são teus:


Palavras como: doce ou ternura,
São de certo, as mais correctas para descrever esse teu olhar.
Palavras que aumentam a minha temperatura,
Palavras que me fazem delirar.

Através deles, vejo os teus horizontes
E consigo desenhar os meus.
Por eles, atravessaria todas as pontes
Até adormecer nos campos, desses olhos que são teus..

Estradas infinitas,
Momentos que resistem.
São as palavras ditas
Que os teus olhos de mel me transmitem.

Por favor,
Com esse teu olhar meigo,
Derrete-me suavemente..
Com amor,
Com esse teu jeito,
Controla-me loucamente..

Poderia ficar parado durante horas a fio, a olhar para esses teus olhos, para esses teus olhos de mel..
Por favor não apagues, este meu desejo de admirar, a ti e a esses olhos, que produzem a imagem de mel ardente.
Não me deixes sozinho, não me deixes abandonado.. concede-me esses olhos para que eu fique apaixonado.. para que eu me perca nesse teu mar alaranjado, para que eu me perca, para sempre, nesse teu reino enfeitiçado..