domingo, 14 de fevereiro de 2010

Meu querido amigo..


Porque é que estás a fazer isto ?
Porque é que ainda continuas atrás de mim .. ?
Eu sei, eu conheço-te (demasiado) bem, talvez mais do queria até.. mas enfim..
Todos os dias estás ali, todos os dias, a toda hora vais para onde quer que eu vá, por mais vezes que eu saia de casa, por mais longe que eu vá, lá estás tu, ao meu lado..
Até neste mesmo momento em que escrevo, sinto que tu, estás mesmo atrás de mim, a ver se falo mal de ti, ou coisa do género. Eu sei bem, que tu, nunca me irás fazer mal. Apenas estás presente, para (talvez) assustar-me ? Não sei, isso eu não sei..
Sei que é constragedor. Sei que quando tomo banho, não consigo fechar os olhos e passar com o chuveiro por cima da cabeça, isso, eu não consigo.. ou talvez consiga, só que não quero, não te quero ver outra vez, já me basta sentir-me dentro de mim todos os dias.
Hoje, mais uma vez, decidis-te "aparecer", a luz foi abaixo e lá vies-te tu, muito contente a tentar assustar-me. Não sejas tolo, já não me consegues assustar. Sempre que isso acontece, ficas ali, parado, a olhar para mim para ver qual a minha reacção, para ver se fecho os olhos, se eventualmente acabo por sair do quarto, ou se fico a olhar para ti (sim, eu sei, é isso mesmo que tu queres, que eu fique a olhar fixamente para ti, para ver quem aguenta mais tempo. Se sabes bem que nenhum de nós vai desistir, porque continuas a fazer o mesmo ? Dá-te prazer ? Não sejas ridículo..)
Apesar de não gostar de ti, considero-te o bem mais precioso que tenho. Não posso nem te vou deixar ir embora, quero-te comigo, apesar de seres aquilo que mais me atormenta, quero-te comigo.. Isso faz-me sentir vivo, e ao mesmo tempo, sem vida..

E no dia-a-dia, continua, sempre os mesmos momentos contigo, sempre as mesmas situações, nós frente-a-frente, olhos fixados a quererem devorar a existência um do outro, uma demonstração, uma explosão de poder ! Os dias sombrios continuam, por mais que seja de dia, ou de noite, os dias sombrios, irão sempre, mas sempre, existir..

Fica comigo..
Por favor, fica comigo..

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Meu livro, meu livrinho,

Escrevo para ti meu livro, meu belo livrinho.
Estou-te a escrever num mero livro, num mero livro em branco. Peço-te desculpa por te estar a incomodar, por estar a perturbar o teu espaço, por estar a perturbar o teu silêncio. Apenas queria avisar, escrever-te aliás, que estou seriamente a pensar em escrever um livro, e até já tenho um tema. Vou fazer uma história, sobre um rapaz que viva nos seus sonhos, ou seja, a sua vida não era realmente a sua vida, era, porém, o seu sonho. Só vivia realmente quando sonhava. Tudo o resto era um sonho para ele, menos os seus sonhos, isso para ele, era viver !
Ou talvez deva fazer sobre um rapaz, que vivia nos sonhos de outras pessoas ? Que só ganhava vida quando os outros sonhavam ? Essas pessoas faziam da vida dele, os seus próprios sonhos.
Sobre qual deverei fazer ? Dás-me a tua opinião ? Podes aconselhar-me ? Se o conseguires fazer, agradeço-te imenso, pois estou um bocado duvidoso, apesar de ser uma pessoa decisiva e sem problemas de escolha.. Se puderes, por favor responde.

P.S(Não me importo, se me deres opiniões tuas.)

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Puzzle


Com pedacinhos de cartão
Faço mosaicos de uma vida,
Montando uma escuridão
Que em mim está perdida..

Mas.. para quê escrever palavras
Das quais ninguém gosta ?
Para quê descrever visões macabras
Que dia e noite dão à costa ?

Palavras já outrora silenciadas, desaguam agora, aqui,
Palavras nunca mencionadas, flutuam, mas agora sem ti.

Transformo pequenas partículas
Em pequenas e médias frases,
Tento juntar pequenas gotículas
E tento fazer aquilo que tu fazes.

Abres-me diversas portas e mostras-me o futuro,
Ensinas coisas novas a este pobre imaturo.
Mas isso, realmente não interessa,
Não para um ser como eu, que espera sem pressa.
Posso esperar. Posso esperar neste ar irrespirável
E dizer que sou apenas, um objecto descartável.
Este mundo está perdido, coitadinho do meu ser,
Sou imundo e sem sentido, pois caminho sem saber..

E com o tempo, lá morri.. Morri e o puzzle ficou incompleto,
Não fiz nada de geito, a não ser este mero dialecto
Que fez largar suor e lágrimas ensaguentadas
Nunca chegando a montar a minha vida,
Repleta de pedras.. e meras calçadas..

Esta, é chamada a "história do pianista"
Cheia de amor e ilusão,
Esta, é chamada a "história ilusionista"
Cheia de calor e tentação..

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Estátuas


Como uma explosão nuclear
Atingindo alturas inesperadas,
Nós permanecemos neste lugar
Como umas estátuas inacabadas.

O corpo e o rosto
Ainda estão por acabar,
Pois fazer o sol posto
Não é algo fácil de se desenhar.

Nestas estátuas sem vida
Desenho almas de vidas passadas;
Com cada alma mais perdida
Que me deixa as mãos cansadas.

Por entre estes olhares arrendondados
Repletos de angústia e de mágoa,
Neles são contornados
O espelho de cada estátua.

Negar os acontecimentos
Desta pobre realidade,
É negar os sentimentos
Destas almas sem vaidade.

E como o pó viaja através do vento,
Ali ficaram, tipo estátuas, sem qualquer acabamento..

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Hoje, fico em casa.

Hoje decidi ficar em casa.
Acordei de manhã, com uma dor de garganta que já se tinha arrastado por todo o fim-de-semana. Usei essa mesma dor, para servir de pretexto para me deixar ficar em casa, para me deixar ficar na cama, o resto do dia. Não me apeteceu puxar os lençóis para trás, e levantar-me para ir tomar banho, seguido de vestir-me e fazer a mala para a escola, para dar início a mais uma semana monótona. A minha mãe bateu à porta, entrou, e perguntou-me:

- O que é que ainda estás a fazer deitado nada cama ?! Olha que já são 8.00h ..
- Acho que vou ficar em casa hoje, a dor de garganta ainda não melhorou, e como vês, mal consigo falar .. - respondi eu, com um tom de voz roco e baixinho. -
- Hmm.. Está bem, está bem, fica lá então, mas só por hoje ! - disse a minha mãe, já conhecendo as minhas manhas e percebendo logo que não me apetecia, levantar-me daquela cama. -

A porta fechou-se e fechei os olhos, para tentar dormir mais um bocadinho, mas o telemóvel tocou por volta das 9.00h (hora que normalmente, se dá início às aulas naquela escola). Vi que era um colega meu, que possivelmente estaria preocupado em saber a razão pela qual ainda não havia ter visto, a minha pessoa. Não atendi, não me apeteceu falar com ele. Mas ele não desistiu. Por volta das 10.30h (hora do intervalo da manhã), telefonou outra vez, e mais uma vez, não atendi. Adormeci, e só voltei a acordar lá pas 15.00h.
Foi bom, ter ficado em casa, ter feito o meu próprio fim-de-semana prolongado.
Foi bom, ter aumentado para 3 dias, o silêncio de um silencioso fim-de-semana.
Foi bom (:

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010


E cá estou eu, mais uma vez, entrei, sentei-me, e em vez de tirar o caderno da respectiva disciplina, tirei outro ao acaso e comecei a escrever. Mais uma vez, deparo-me que estou completamente ausente daquilo que se está a passar dentro desta sala de aula, das conversas que estão a decorrer, das gargalhadas, das "boquinhas" que normalmente estão presentes em todas as aulas.
Estou ausente do habitual dia-a-dia decorrente nesta sala.
Sinto o corpo morto, leve como uma brisa inexistente. Sinto que estou numa luta constante, contra os meus próprios olhos, que lutam constantemente contra a minha vontade de querer que se mantenham permanentemente abertos, pelo menos até ao final da aula, para não levar uma falta desnecessária ou atrair atenções indesejadas.
Sinto a cabeça pesada, como se usasse uns brincos com umas 200 toneladas, cada um.

(..)

Finalmente, encostei o corpo à parede, fechei os olhos e encostei a cabeça à minha própria mão. Já não quero saber se levo falta ou que podem gozar comigo, por pensarem que posso estar a dormir. Quero sim, estar ausente desta monotonia, deste habitual dia-a-dia, que aos poucos, vai-me comendo.
A todo o milésimo, a todo o segundo, a todo o minuto e a toda a hora, sinto que estou a ser comido por esta miserável monotonia, e as dentadas são cada vez maiores, de dia para dia ..