segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Leafs.

Engraçado, como pensamos que só precisamos de nós,
Que somos nós, quem estica a corda ou que a prefere deixar, com nós.
Não. Não somos nós que o fazemos. Fazem-no por nós,
Decidem, por nós, se querem ficar a nosso lado ou deixar-nos a sós.
E não é o pré, é o após que nos faz reflectir sobre o que realmente, importa;
Se precisamos de círculos, quadrados, triângulos ou de uma porta, entre nós e o resto.
Porque nem tudo o resto é resto, porque o resto é tudo o que não nos conforta.
Não é a mente quem transporta o que sentimos; mentimos sobre isso.
O piso é inferior àquele que perseguimos,
É nele que se escolhe o que se acolhe ou se deporta tudo aquilo, pelo qual rimos.
E eu rio por outros. Pelos outros.
Pelos poucos que numa festa me fazem ficar rouco,
Que me fazem pensar que pouco sei e que vivo pouco.



Engraçado, como penso que não preciso de mim…

Será ainda pouco para ser de loucos? Não sei de mim.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Ordinary

Banal. Demasiada banalidade numa monotonia que repugna a vontade. E verdade seja dita: Maldita seja a preguiça! Meio castiça, azulada e com o enorme fetiche de fazer cócegas pelo corpo todo. Como tu costumavas fazer.

Deliro. Delirava. Parava no sofá à espera, sentado. Ansioso tentando não parecer atrapalhado, mal te visse. Que te despisse mal entrasses de salto de alto, elegante. Mas que só eu visse, mais ninguém. Gosto de te mostrar ao mundo mas não nestas ocasiões. Nestes momentos, nestas ilusões, o presente é meu e teu. Tão elegante. És linda, mulher. Gosto-te a cem, sabias? Se não sabias então agora, já o sabes. Maldade era se não o soubesses, após dizer-to.

Continuo banal. Igual como anteriormente. Não era suposto os dias serem todos diferentes? Por vezes penso que não sou nada inteligente. Um pouco demente aqui, outro pouco ali, mas inteligente? Nunca o pensei, nem me achei. Apenas pensei que não o era. Que fosse alguém comum. Quem me dera, que não o fosse. Ou que não me achasse. Que achas de te ir buscar ao trabalho? Queria um dia puder tomar café contigo. Acompanhados com um pastel de nata, para ambos; que dizes?





 Desculpa. Está um dia tão banal.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Poros




Diz-me, deixas de acreditar na Lua só porque o Sol se põe no lugar dela? Ou no Sol quando as nuvens o tapam? E em mim quando chego tarde, e te digo que me esqueci completamente de olhar às horas? Meto-me a imaginar sabes, como reages, que tipo de 'birra' vais fazer. E rio. No meio da rua, no passeio e a meio da passadeira, rio feito palerma. Até numa esplanada, cheia de gente! E sinceramente? Sinto-me bem por não me sentir mal quando reparo que estão a olhar de lado, para mim. Sinto-me bem por saber que respiro a tua memória, embora não passe disso mesmo: memória.
Falta do teu carnal não faz tanta falta como outrora, embora não passe disso mesmo: carnal. Como poderei guardar-me a mim e a ti ao mesmo tempo? O meu coração não tem espaço para tanto, pelo menos não para mim. Nem a minha casa de banho o tem, para a minha escova de dentes. Tens os buraquinhos do suporte de escova todos ocupados. 

Assim como os poros em mim; cheios de ti.


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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Rewind.


Já passou tanto tempo e eu continuo aqui, madrugada após madrugada, face a um caderno que possivelmente irá continuar branco durante as próximas horas, durante as próximas noites. As memórias vão-se acumulando, a intensidade vai-se intensificando à medida que o Sol troca com a Lua. As ondas vão crescendo oscilando este minúsculo barco. Sinto a corrente a puxar quando meto o remo na água. O rio respira para a minha direita, em direção a Oeste. As amarras que seguram a minha cintura, já apresentam folga e duvido que me aguente em cima dele por muito mais tempo. O ar gelado arranha-me a garganta e o nariz, os ossos das mãos doem quando as tento abrir, parecem a corrente da bicicleta quando passa tempos sem óleo. Admito que vim para aqui despreparado. Despreocupado, será o termo correcto. De t-shirt, calções e chinelos sem qualquer chapéu ou óculos de sol. Sem qualquer casaco, sem qualquer muda de roupa. Sem espécie alguma de cansaço, qualquer necessidade de dormir ou de comer.



Água. Kilómetros e litros de água por tudo quanto é lado, em todas as direções. Já falta pouco para chegar à cascata, esteve mais longe à uns quantos metros atrás. É estranho. Sigo em direção a ela mas a água parece não cair, será apenas impressão minha? Parece que a vejo subir cascata a cima, a saltar ferozmente de um lado para o outro a tentar chegar ao objectivo, parecem as crias de um tigre a lutar entre a ninhada pelas maminhas da mãmã, pelo leite. Quem não bebe, não cresce. E quem não cresce, não sobrevive. Será esse o significado de tudo isto? Para eu crescer? O mundo não espera por ninguém, isso é verdade, mas gosto de pensar que o mundo nos espera. Que se prepara para a nossa chegada, planeando todo o nosso percurso enquanto nele habitamos. Mas não aguarda caso falhemos a 1ª etapa. Ou a 2ª. Ou a 3ª. Não espera, e é disso que devemos estar cientes. Estou consciente disso, portanto suponho que não seja esse o motivo que me leva a estar aqui. Porra! Fico mais frustrado do que curioso, é verdade, mas os sonhos não se repetem, só no tema. E se eu não voltar aqui? Se eu não voltar a ver esta cascata? Irei perder alguma coisa? Tenho a sensação que sim...
De qualquer maneira, mais vale estar preparado para as futuras visitas. 
Prometo trazer roupa mais quente.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

White Notebook

Sempre encaraste os problemas com uma postura evasiva. Com uma atitude, de quem se está completamente a borrifar. Sejam fáceis ou difíceis, para ti, são apenas desafios que podes enfiar nesse sótão ao qual chamas de mente. E sinceramente, nem sei porque é que às vezes ainda lá vais remexer. Não sei se é a paciência que te ilude ou se serão os remorsos... Mas de qualquer maneira, ainda bem que lá vais. Faz-te bem respirar um pouco de pó.
Sempre tentaste ajudar tudo e todos. Dar o corpo inteiro a quem só te pedia a palma da mão. De dar o conforto e o calor do teu abraço, a quem só queria um casaco. Sempre tiveste esse defeito; essa enorme falha. De chegares a uma festa, voltares-te para os teus amigos e dizeres que quem paga és tu. Seja a primeira, a segunda ou a última rodada. Depois, chegas a um ponto em que te começas a questionar. Com quem podes contar e com quem te podes fazer contar. Quem tem potencial para se tornar um bom amigo, e quem o tem para ser a tua companheira.
Começas a fazer estas deduções e escolhas porque não queres ficar sozinho. Ninguém quer, na realidade, ninguém o quer. É então que pegas num caderno e escreves. Descreves como és e como almejas ser. Organiza pensamentos, sentimentos e sensações. As tuas ideias, acabam por transformar as folhas dando-lhes um significado merecedor de vida. Passam a ser ordens no teu dia-a-dia; na forma como te vestes e na importância que dás a isso.
E escreves. Com ou sem fluência, escreves incansavelmente. Resistente nos teus objectivos, projectas a essência, ou a ciência, dos teus gritos interiores. Com o tempo, adquires uma invulgar mas discreta demência, que aos poucos, se vai tornando uma evidência na aparência desse caderno. Esse que te tira o prazo de validade dos pensamentos, que os torna eternos para quem os quer. (...)




(...) É exactamente isso que preenche aquele caderno, já podre e rasgado. Já cansado da variedade de tintas que lhe mancham a branquidão. Encostado a um canto, com pó por cima da capa, vai tossindo a cada golo de ar que inala. Mais parece que está a pedir ajuda, a querer que o ouçamos... (ou será apenas a minha imaginação fértil?) A pedir que lhe troquemos as folhas borradas por umas novas. Que escrevamos nele com outro tipo de caneta, com outro tipo de tinta. De preferência, que não borre e que não passe para a folha de baixo. Que não manche a página seguinte, porque essa, não tem que levar com as culpas da anterior.
Talvez esse caderno precise de uma história nova. Daquelas ardentes e flamejantes que fervilham por todas as páginas.

sábado, 13 de outubro de 2012

The Beginning. 1st Part


Dá-me tempo. Dá-me tempo para realizar. Para me afastar e ganhar balanço nas cordas. Deixa-me suar com o pensamento de que é possível. Acompanha com os olhos o meu salteado, em teu redor. Punhos para cima e cabeça escondida. Balança os ombros e presta atenção aos meus. Cuidado com as faltas e não te esqueças, de agradecer aos espectadores.
                                        Prepara-te que vai começar.



Quantas vezes meu Sol ?
Quantas vezes já nos encontrámos, logo pela manhã, com a brisa fresca a puxar pelos nossos pulmões, ainda nós com cara de ensonados ? Quantas vezes fechámos os olhos e pensámos que seria desta ?
Tão ingénuos que fomos, não é ? Tolos, ao pensar que ao fechar a pálpebra serviria de contemplação.. As árvores continuavam iguais, todas elas vaidosas a balançar seus verdes cabelos. Todas estilosas, sempre a seguir a tendência da moda, com vestidos e roupas de colecção de cada estação que chegasse. E nós a rir feitos tolos, daquelas figurinhas que elas lá iam fazendo. Mas lá felizes estavam elas, cada uma a seu jeito. Precisamente o contrário de nós, até à bem pouco tempo. Sim, não desmintas tótó. Eu sei que estás a adorar. Sei que estás a adorar esta nova brisa que está a limpar os nossos pulmões. Eu bem te avisei! Eu bem te disse que deixar os olhos abertos iria servir de algo. Está na hora de me agradeceres, seu ingrato. Dá-me luz o suficiente para eu poder dar também, ok ? Fazes-me esse favor ?
Já há muito tempo, que não dava importância caso o meu cérebro se esquecesse do telemóvel. Esse objecto móvel que mantém as pessoas em contacto. Já era habitual, ficar esquecido em cima da mesa de cabeceira, em silêncio. Por vezes até ligado ao carregador o dia todo. Mas claro, para eu estar a falar disto é porque algo mudou. E mudou mesmo. Tanto que a minha indiferença passou a ser desavença caso me esquecesse. Começou a significar que caso me esquecesse, perderia um dia de pensamentos de amor tolos, ingénuos, como o “amor” deve ser. Além do mais foi por esse mesmo meio que eu tomei o banho mais longo, aparei a barba, escovei os dentes e parei a olhar-me para o espelho. Esse que se costuma manter sempre igual, faça luz ou não.



- Vai-me lá fazer umas sandes.
- Em troca de..?
- Fica a teu critério.
- Amanhã quero um grande pequeno-almoço!
- Negócio fechado!
- Então esperas até amanhã ao pequeno-almoço para comeres, não me apetece levantar da cama.
- Ups, não há pequeno-almoço!
- Ups, porque não sabes fazer um pequeno almoço de princesa.
- De princesa ? Nop. Mas de raínha ? Isso já depende J
- Gostei, agora estiveste muy bien! Se algum dia vieres dormir cá em casa vou exigi-lo A!
- With pleasure milady.