quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Cortina de Fumo.


Deixar-te-ia desconfortável se confortavelmente me encostasse a ti?

Estou entediado e chateado, até no puf me sinto fora de sítio. Já vou no 3º cigarro e continuo a não conseguir decifrar esta chuva. Gotas atrás de gota vão-me salpicando os ténis, cordão a cordão. De vez em quando resmunga o vento, projectando as cujas encharcando-me a cara. E eu, resmungo-lhe de volta.
Sinto-me sem jeito. Desconfortável. Tenho o cérebro tão enleado como os nós de cabelos presos no ralo da banheira. Não sou de fases mas esta tira-me a vontade de me passar a ferro; de me compor. De me recompor. De dispor de boa disposição para me pôr direito. Correcto, no caminho certo. Em linha recta nas linhas férreas, como costuma ser habitual. Actualmente a tranquilidade é incerta. A vontade é inerte.

Levanto-me. 
Olho para trás e ali estás tu, sentado no puf. 
Que sensação estranha... Fui eu que já cá estive ou foste tu que já cá estiveste? Não sei se já reparaste, mas, o cigarro derreteu. Estranho... Verte fumos que te embaciam a alma. Sabores que a deixam calma enquanto a névoa.
Tenho a saliva embriagada com sabor a tabaco, no entanto nunca fumei. 

...Deixar-te-ia desconfortável se confortavelmente te perguntasse quem és?

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Thunderbird.


Não é à pressa que cresces, nem são as preces que te tornam adulto. És e continuarás a ser um vulto até aprenderes a tomar conta dos teus próprios ossos. Imaginas-te em tons sépia quando te dizem que o arco-íris, afinal, é um fenómeno da natureza e não dos que mais amas. Reclamas e dizes que olhas para o mundo à tua maneira, excepto quando está nublado.
Somos filhos dos relâmpagos, crescemos com os furacões e não com o sapato perdido pela Cinderela. É como querer ter um barco à vela e nunca ter içado uma vela, sequer. Não olhes para as estrelas. Olha para o céu escuro, cinzento, carregado de nuvens encharcadas. Aceita que te acompanhem. Aceita-te acompanhado. 

Imagina uma vitamina que só germina quando, uma mão feminina a ensina o quanto, é relevante escolher a pessoa certa enquanto, vives debaixo de um manto com a cabeça incerta, com a pessoa incerta, numa relação pouco ou nada correcta. Porque quem faz a nós desperta, a curiosidade de uma ação concreta repleta de uma vontade que mais tarde, se torna em necessidade. Mas a verdade, é que procuramos a mentira no meio da verdade. Somos escravos de uns filhos que nasceram sem uma metade da cara, ou com a cara pela metade.
Somos filhos dos relâmpagos.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Off.

Não me avalies. Eu não sou o que esperas. Ou por quem esperas. Não sou uma mera melancolia com aroma a girassol, não giro em prole de algo estável e se eu estiver a mentir, então, que alguém me esfole. No protocolo dos meus genes não existe auto-controlo.

Os níveis de apatia estão absurdamente altíssimos, elevados ao cubo. Têm tido mais influência na saliência da minha gordura sentimental, do que a minha experiência em tornar em demência o meu comportamento social. O que antes era casual, tornou-se agora em banal. Desinteressante. É viciante e o que antes era assustador, agora, é acolhedor; como mergulhar nu, à noite, na praia.





03:11h da madrugada. Aumentei a velocidade da ventoinha e reposicionei-a para o Rex. Sinto o lombo dele a ferver, através dos meus pés. Até o punha lá fora ao fresco mas passa sempre a noite em branco a tentar morder os mosquitos. Aqui, pode sonhar à vontade.
"Dormir? Sim, consigo." Digo, mal a paz enlouquece. Se alguém esquece alguém é porque aprendeu a ser ninguém. Ou tudo. Se consigo ser ninguém porque não haveria de conseguir dormir? "Sim, consigo." 
Digo, infiel ao meu stress nocturno.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Invólucro.


- Não tenho tempo para nostalgias! – Prefiro achar que não tenho tempo do que ter tempo para achar que o tenho. Não te desenho numa tela porque não tenho tempo para tal… Mas quero que saibas que, se o tivesse não te desenharia na mesma. A minha habilidade para tal é péssima ou quase nula, e mesmo que eu fosse o melhor artista à face do planeta, não te desenharia na mesma.


Sou filho de uma herança indígena, pouco dada a manhãs alegres. Passadas duas décadas não posso dizer que encontrei o meu lugar. E de facto ainda não o encontrei, de todo.
Sabe-me a pouco quando as pálpebras descem, nunca foram de boa voz e o seu conforto é longe do ortopédico. Não me aconchega os olhos e o peito muito menos. A pulsação é abaixo dos 49 por minuto e o bocejo, vem de semana a semana. Isto é tão característico que a falta de semântica provoca-me apatia torácica. Ou uma espécie de amígdala sentimental. Tenho o sono mudo, não lhe ouço a aflição. É tudo um sonho morno e eu não adormeço sem uma ejaculação. Pernoito num mundo ficcional, rodeado de asmáticos por novelas e nenhuma delas tem um intervalo estipulado. Uns viciados sem a simbiose com o pecado. Já eu, sou de mim próprio: o Padre de mim mórbido e o Diabo de mim sóbrio.

Eu sinto o ambiente diferente. Estou habituado a chegar a casa e a ouvir vozes de outras pessoas a falarem línguas estrangeiras. É sinal que o meu pai cumpre a sua rotina nocturna, fixado nos filmes de guerra que preenchem as madrugadas na televisão. Quem o acompanha nessas viagens cinemáticas é o Rex, na maioria das vezes de olhos fechados e com o focinho em cima da coxa do meu velhote. Sempre achei ser dono dele, mas na verdade é mais do meu pai do que alguma vez foi meu.
Adiante, adiante!

Para crescer, precisei de encontrar sossego no desassossego dos meus suores. Comecei por: à luz do dia, morder o lábio inferior e a estalar os dedos das mãos, numa tentativa de continuar a estar ciente sobre o que significa ser sóbrio. Mas os dias tornam-se mais curtos, aparentemente. Dou por mim no quarto a coçar os braços, com a televisão ligada mas estagnada no Jornal da Noite. O noticiário dura cada vez menos, aparentemente. Nunca gostei de muita luz mas não me atrevo a roubar a voz ao meu corpo. Contento-me com a luz do relógio-despertador, que por acaso hoje é só relógio. Contento-me com o barulho de nada a desmanchar-me os cortinados. Contento-me com o arrepio gelado no pescoço, e nos nós dos dedos dos pés.
Contento-me e peço por mais, até.

Para crescer, precisei de estar de olhos abertos durante o pesadelo. De saber quantos dedos tinham as mãos do demónio que desaconchegava e adulterava os meus sonhos. Para crescer, precisei de me sentar na cama durante a madrugada no meio da escuridão e, suster a respiração. Para crescer, foi preciso a luz do candeeiro se fundir quando o liguei às quatro horas da madrugada, encharcado em suor e medo.




Sim, é. Sou de mim próprio..

quinta-feira, 5 de março de 2015

Capítulo 3.


Em mim, semeias milhões e nem de um terço desses milhões, te apercebes que semeias. Metade deles agitam-se, ao ver-te ficar só de meias quando chegas a casa. Deixas as botas à porta e a Nicole nem nota na porta aberta, esquecida por ti. Toda torta corre em direção às tuas pernas e obriga-te a ficar sentada, no tapete da entrada da frente. É tão inocente que embora já agarrada a ti, continua a chamar pela mãe, vez atrás de vez. São as saudades de apenas umas horas sem te ver, e eu, deliciado, encostado ao corrimão das escadas, vou sonhando acordado:

...E rasga-lhe o pijama que tinha vestido, como se de um mero guardanapo se tratasse. Espantada, inspirou fundo e encolheu os ombros como se tivesse sentido um arrepio (E arrepio tinha eu sentido quando a vi de lingerie!). Jogou-se ao seu pescoço como se de uma presa se tratasse, mas com a gentileza de alguém que acabara de pegar num bebé ao colo. Suave e bem, bem devagarinho. Sentiu a pele de galinha e o queixo dela a elevar-se no alto; cabeça para trás e as suas unhas, a despentearem-lhe a alma. Ouviu-a novamente a inspirar fundo mas desta vez com ainda mais ênfase, ainda mais descontrolada. 
Aí soube, que não ia dormir tão cedo.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Grotesco.

A minha estrutura de suposições fica transparente, aquando o meu contacto visual. Numa visão periférica nota-a, sei que ela está lá. Mal empilhada, cresce de dia para dia com despejos desrespeitosos, pálidos de emoção. Sinto a sua presença atrás de mim, quando me sento na cadeira com estofos de cabedal preto, à beira da secretária. Nunca este quarto me acolheu tão bem assim, antes.
Confesso que gostava de possuir um paladar suficientemente requintado, um que me fizesse apreciar um copo de conhaque, acompanhado de duas pedras de gelo. Que me fizesse apreciar da sua companhia enquanto permito que as sombras me abracem as costas, e os ombros. Enquanto fecho as pálpebras consumindo os olhos num acto de canibalismo grotesco. Enquanto me entrego a um mar de emoções desagradáveis ao submeter a minha coluna à dor de estar curvado, ou quase deitado, na vida.
Por vezes pergunto-me se a lâmpada do candeeiro ainda funciona. Já lá vão tantos anos sem a ligar. Acho que a porta encostada, com a luz do corredor a iluminar-me o quarto tem sido sempre o suficiente. Não nasci sendo propriamente fã da luz, as minhas pupilas escuras que o digam. O meu cabelo despenteado que o diga. As minhas roupas escuras, que o digam. A minha vontade negra, que o diga.
Nunca lhe disse, mas gosto imenso quando a minha mãe passa pelo corredor para entrar no quarto dela e, apaga a luz. Faz-me pousar a caneta, e numa escuridão total contemplar o que de dentro de mim saiu. Pego-lhe bruscamente e atiro-a sem respeito algum para o topo da estrutura. Agora invisível aos meus olhos, não sei dizer a sua espessura. Acabo por me afastar virando-lhe as costas, deixando a cadeira fora de sítio. Sei de cor quantos passos são precisos até à porta, mesmo no escuro.
Foi só mais uma folha. É só mais uma noite.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Deliberadamente.

“Existe uma emoção que todos reconhecemos mas que ainda não foi nomeada: A antecipação feliz de ser capaz de sentir desprezo.”



Estou a metabolizar a minha experiência. Por enquanto, não tenho nada. Não tenho absolutamente nada. Bico da caneta para fora com tinta quase gasta, cor de nada. Uma resma de folhas de papel para uma lesma fila de palavras que ainda mais viscosa se torna, quando meto os dedos na garganta. Sinto comichão na ponta deles pela falta de calos que lhes faltam. Pela ausência da supressão de dor a que lhes submeto. Não me sinto realizado se não o fizer a mim próprio.

Já é dia... São 08:22h da manhã, mas tu não madrugaste. Não foi o despertador, nem as galinhas do vizinho que te fizeram sair do conforto da cama. Muito menos o barulho das gotículas de chuva a salpicar na chapa dos carros. Sabes bem, o que te manteve acordado. O que te fez estar enrolado a uma manta, deitado no sofá a ver televisão. Sabes bem que o que te inquieta não evapora só porque assim o queres. Só porque assim o idealizas.



Sento-me e não me idealizo. Não me visualizo porque falho em ser preciso no volume certo, do teu riso. Sinto-me um magnata em rotação alta à velocidade da luz, no que toca a querer-te comigo. A querer o teu amor comigo, esse que tanto me seduz.
Sento-me e não me realizo. Não sinto que sou preciso por ti, se não te cumprimentar pelo menos uma vez nos meus sonhos. Se não afugentar os génios medonhos que me abraçam nas sombras. Esses que sabem tão bem quanto eu, quando não estás. Esses que me congelam os lençóis e me deixam os pulmões frios. Que me petrificam os lábios, deixando-os gelados, azulados de ti. Esses génios que me amarram à cama extinguindo uma chama que não é chama sem te ver. Sem te ter.

Mas quão ingénuo pensas ser? Pensas num número sem nunca ter em conta que a conta pode ser de subtração. É sempre de adição, é sempre uma tentação. É pular uma vedação ignorando a invasão, só porque achamos que tudo é correcto. Ou talvez por acharmos que todos fazem tudo errado, então fazemo-lo também.

Porque achamos que no meio de duzentos números ninguém nota no cem.


sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

No poente vive quem sente.

Não sou de contos. Não sou de fadas, cavaleiros, princesas ou dragões. Não sou de fantasias, mordomias brilhantes e enfadonhas. Sou de histórias. De memórias que pesam toneladas e que me aquecem a alma. Sim, gosto de pensar que tenho alma e que ela gira como um girassol, à tua procura. E não desabrocho quando não estás, sabes? Não me sinto eu, quando não estás. Quando não te tenho. Quando não nos tenho. E vejo-me tantas vezes assim meu amor; sem ti. Ter-te já se tornou um hábito e assusta-me a ideia de que assim não seja. E dói. É verdade que dói. Arranha-me o corpo todo e deixa-me a pele repleta de lacerações. Obriga-me a vestir cinco camadas de roupa, porque para mim, faz frio o dia todo. Para mim, é Inverno o ano todo. Excepto quando te tenho.

E ter-te chegava. Só estar chega, desde que a hora de deixar de só estar não chegue. Que me aconchegue o suficiente ao ponto de me elevar ao poente, que deixe iminente o meu arbítrio, a minha vontade de te querer ter. E que por te querer ter que estejas ciente de que quero dissipar a nossa realidade geográfica. Que não há escala que chegue que me desaconchegue, da nossa também realidade cinematográfica. E é tão bom, saber que não há céus suficientemente largos para a nossa escrita. Para a nossa esferográfica.

Nunca és demais! És medida correcta na chávena, número de colheres exacto. Um tanto sem medida, tamanho de uma vida. Um tanto tão tanto que prefiro deixar a régua perdida. Um tanto gigantesco por alguém também gigante, só que com menos vinte centímetros. Um tanto gigante, um tanto sem medida. És a sinopse mais interessante que eu lá li. És uma vida.

Mas promete-me que não calas o teu corpo, quando passares pelo corredor e entrares no meu quarto. Promete-me antes que deixas a roupa espalhada, e não dobrada, quando a tirares. Promete-me antes que, quando levantares os lençóis para te deitares, o faças pelo meu lado da frente. Promete-me antes que te entrelaças em mim, antes de me acordares. Promete-me antes que não metes o despertador.
Mas por favor, meu amor, promete-me antes que não te tornas no silêncio. Tornar-me-ia num calafrio sem ti no frio, sem o teu abraço em sobressalto.


Estás tu aí, sentada na tua secretária concentrada nos teus estudos e eu, aqui, sentado na minha a escrever-te. A observar-te. A imaginar quantos centímetros conseguem estes meus dedos percorrer, ao longo do teu cabelo. 
Estás tu aí, com o canto esquerdo dos lábios apoiado na manga da camisola que tantas vezes, inconscientemente, agarras com os dedos.
Disse até que te ajudava mas duvidosa ainda me dizes "é História da Comunicação e dos Media, tens a certeza?". Oh! E como eu gosto de história!
De vez em quando desvias o olhar e sorris-me, como quem não quer a coisa; "Vou já amorzinho". 
Mas eu espero, pacientemente. Espero o tempo que for preciso, por ti.




Já te disse que te amo?
Ah, e já agora... Ficas linda com esses óculos!

sábado, 3 de janeiro de 2015

Veia dourada.

A postura é forte, mas a sorte sem postura satura a mente. Satura os pontos de costura que vais acumulando na pele.
A postura é forte, mas o corte de sorriso deixa as cores de uma pintura sem riso ou, sequer uma gargalhada. Em tons abusivos; pressão no pincel exagerada.
A postura é forte, mas nem o Norte é certo de que é o Norte – jura a amargura com medo de que tenham todos sorte.



Lá está de novo aquele gosto na boca: Doce, com efeitos analgésicos… Pudesse eu preparar-me antes, fosse eu antes mais cuidadoso ao levar a esferográfica à boca. Tivesse eu mais cautela ao absorver o que me absorve. Tivesse eu mais cuidado ao provar-te de novo. Tivesse eu mais compostura ao saber de ti. Roubas-ma toda a vez que fazes com que eu te sinta. E Oh! Adoro quando o fazes.

Já te disse que te amo?
Imagino-te corada ao dizer-to. A amarrotar-te o casaco aliviando-nos da pressão dos hemisférios. Da pressão de não te ter quando quero. Quando mais preciso.



És a descarga emocional mais bonita em que em mim existe, meu amor. – Digo-o com os dois braços cruzados nas tuas costas, com ambas as mãos a agarrarem-te os ombros. Contrais o corpo como se me tivesses a pedir que te abraçasse com a maior das minhas forças. Faço-o.
- “Não te esqueças de mim, por favor. Está bem?” – Dizes-mo com um tom tão fraco que me obrigas a cerrar os lábios. A adiar as lágrimas.
Olho-te como um adolescente apaixonado e respondo-te que sim, com estes olhos que despertas em mim. – Estiveram cá sempre ou foste tu que me os deste? Não sei. Mas sei-te, isso chega? Quero mais. Quero dar-te mais. – Respondo-te que sim, finalmente, depois de um abraço de dois minutos e um beijo de três. És tão em mim como o tanto que eu sou em ti.

Tenho o peito a ferver, sabes? Tanto para te dizer. Tanto para te escrever. Tanto para te dar. Tanto de tanto de mim que tenho a certeza de que mais ninguém neste mundo, tem tanto deste tanto. Que privilégio, meu amor. Tantos que caçam tantos tesouros e que nada encontram e eu aqui, com o mais rico de todos eles.

“ (…) Se eu não te amar para o resto da minha vida então não vou amar mais ninguém.”




Eram quase 15h30min e o autocarro ainda não tinha chegado. Rezei solenemente para que chegasse ainda mais atrasado. A última coisa que eu queria era levantar-me daquele banco da paragem. Era sair de ao pé de ti. Era ter que me despedir, de ti. Aguentei as lágrimas. Limpei as tuas mas, aguentei as minhas. Fiz o maior esforço do mundo para não olhar para trás. Sabia que se o fizesse naquele momento, tinha descido as escadas daquele autocarro numa correria, borrifando-me completamente nas malas já guardadas. Mas não o fiz, continuei a subir e fui à procura do meu lugar. – O que não fazia qualquer sentido, porque o meu lugar era contigo

Não emiti quaisquer barulhos, confesso. Meti os óculos escuros, tranquei os dedos nos lábios e… Deixei-as escorrer. Deixei-me pingar até ter a mão completamente molhada. Não o quis fazer à tua frente, confesso. Fi-lo sentado no banco, petrificado. Completamente impotente por não te conseguir acalmar ao dizer-te para respirares fundo comigo. Peito com peito.


Desculpa, mas vou parar de escrever. 
O nariz não pára de sentir formigueiros e não faço ideia de como acalmá-lo. Vou-me meu amor, está bem? Estou ao teu lado quando acordares. Acorda-me a mim também, assim comemos torradas juntos, está bem?

Boa noite.