domingo, 23 de maio de 2010

A Poesia (?)

A Poesia ?
Bem, essa é espectacular.
Transformou-me mais do que queria
E meteu-me a sonhar.

Mudou-me por completo,
Enchendo-me com amor, com afecto.
Pintou-me a alma e pintou-me a vida,
Aquela que eu achava que estava perdida.

Que morreu várias vezes,
Abandonando este meu corpo, mutilado.
Mutilado com certeza e coragem,
Sendo julgado e afastado, para a prisão do passado.

Apareceu ela, descendo com um vestido branco, encadeando-me os olhos de tanto brilho que trazia com ela. Simplesmente fantástico, uma beleza pura, mais parecia um chamamento. Foi esta a senhora poesia, que me salvou do julgamento. Entrou na minha cela aprisionando-me num caderno, juntamente com letras e palavras. Onde a caneta era gigante, possuindo o poder de transformar páginas em branco, em histórias lendárias, que um dia passariam a ser ditas de boca em boca. Transmitidas de mente em mente, de geração para geração.
Com ela, trazia também aquele sorriso que hoje ainda me sorri, mas que sorri no escuro. Um sorriso grande, como nunca vi e que me aguarda para lá do muro. Que me protege da luz, da imensidão que ainda hoje me assombra. Aquela que me quer levar com ela, separando-me da escuridão. Essa que diz que quer transformar a própria luz ainda mais brilhante. Mas eu pertenço à escuridão, faço parte dela. Por isso volto a repetir o que ainda não disse:
Amo a escuridão, como amo a poesia. É de certo uma comparação, que toda gente discordaria. Mas pronto, eu sou eu, juntamente com a minha mente, delinquente.



Day 14 - A song that you listen to when you’re angry

Não ouço música quando estou zangado..

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Submundo


Por vezes, encontro-me tão, mas tão dentro da escuridão, que deixo de ver o meu fluxo de vida. Deixo-me de me sentir e os meus sentidos, ficam mais apurados que nunca. Encosto o meu ouvido esquerdo à parede húmida e fria, que sustenta o tecto deste submundo. Ouço asas a chocarem contra o ar, pingas a molhar seres negros que esvoaçam por este espaço, já isolado à 18 anos. Tento abrir os olhos, mas estão pesados, mais parece que em cada pálpebra estão pendurados blocos de cimento de 100 toneladas cada um. É-me impossível visualizar a escuridão, mas eu sinto-a, consigo senti-la com as pontas dos meus dedos cada vez que divido o ar com as minhas mãos, dando golfadas de esperança como se estivesse desesperado para sair dali. É estranho; cada vez que me encontro neste mesmo espaço, todos os dias, tenho um medo tremendo de para lá voltar, e extrema ansiedade para sair. Mas, ao mesmo tempo, é como se uma enorme tentação se instalasse sobre esta minha mente e obrigasse este meu corpo a viajar até este submundo, fazendo as delícias desta minha pobre imaginação.
Está quase. Está quase na hora de ela voltar e mais uma vez, perturbar esta minha mente confusa, que se confunde por se tentar compreender. Mas é natural. Se nem eu próprio compreendo a minha mente, iria lá ela compreender-se a si própria..

(Até já, meu submundo..)



Day 12 - A song that describes you



quinta-feira, 20 de maio de 2010

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Segunda personalidade.


És como um vírus,
Que se transforma em frenesim.
Vais-me matando aos poucos,
E eu não quero morrer assim.

Não me quero tornar em cinzas
Para morar dentro de uma jarra..
Já basta ter-me tornando em pintas,
Já me basta ser a tua amarra.

Já basta seres o meu escravo de primeira,
Assim como o sinal que te marquei na testa.
Já basta ter-te pintado à minha maneira,
E ter moldado cada vértice e cada aresta.

Enquanto a meu lado ficares,
Permaneceres e viveres,
Eu prometo, que por ti irei morrer.
Mas, se a meu lado faleceres,
Eu prometo, que por ti irei viver.

Que irei tirar partido das nossas memórias
E fazer com que durem.
Que irei escrever histórias,
Para que todos os outros as murmurem.

Sei que fazes parte de mim,
Sei que és a minha alma escondida.
Mas não te esqueças,
Que foi desde o princípio ao fim
Que corremos juntos nesta corrida.

Já te descrevi em muito poemas,
Já te elogiei e já te ofendi.
Mas hoje, esses textos são emblemas
E imagens do que nunca vi.

Apenas ouvi essa tua dor,
E senti o teu sofrimento.
Não foi ódio nem amor,
Mas sim o calor do sentimento..

Desde o meu primeiro dia
Que fazes parte deste meu ser.
Foste mais do que eu queria
Mas és aquele que me faz crescer.

Peço que nunca te vás embora,
Peço-te que não estejas só de passagem.
Desejo que nunca chegue a hora
De me despedir desse teu espírito selvagem.

(Desculpa-me, mas já não tenho rimas suficientes para dizer o quanto significas para mim.. Eu bem sei que são infinitas, mas aquelas para descrever essa tua importância, não existem.. Essas ainda não foram inventadas. Palavras com tanto valor eu ficarei à espera, para um dia te puder fazer aquele texto. Aquele texto que deixará tudo e todos de boca aberta, caídos no chão só de ler meras e insignificantes palavras. Até lá, esperarei pacientemente até que sejam criadas, mas quem sabe, se não serei eu quem as criará. Só te peço, que até que esse momento chegue, que permaneças dentro de mim, assim como tens permanecido desde o primeiro dia em que te consegui sentir. Obrigado, meu espírito selvagem.)




Day 09 - A song that makes you fall asleep




Pode-me dar sono, mas é das músicas mais brilhantes que alguma vez ouvi.