sábado, 5 de outubro de 2013

Recall


Descansa, eu não me esqueci. Nunca me esqueço e tu, sabes bem disso. Assim como espero que saibas que, apesar de eu não te telefonar ou falar contigo todos os dias, seja um sinal de que não me importo. Tenho-te dentro de mim desde que nasci e seria uma ofensa a mim próprio caso me escapasse um dia que seja. Cá dentro, neste fundo poço, respondo às tuas habituais e costumes perguntas. Faço-o diariamente. Desde que me lembro. Desde que te lembro. E porquê? Porque eu sou tu olhe para o espelho que olhar; olhe para o reflexo que olhar. Eu sou tu em cada discussão que temos (e olha que não são poucas!). Sou tu em cada opinião que me pedes; em cada roupa que vestes. Sou tu em cada refeição que fazes. Sou tu, em cada sorriso e em cada gargalhada que soltas do teu bem-estar; em cada língua que dobras entre os dentes quando te zangas. Sou tu em tudo (menos no teu gosto quando me compras roupa).

                12:49h
               
Acabou de beber o leite. Nem birra fez. Portou-se de forma exemplar, linda menina. Ela pergunta imensas vezes por ti sabes? “Onde ‘tá a Bel?” e eu respondo-lhe: “A Bel já te vem ver, mas só depois de dormires um bocadinho, está bem?”. Responde-me com um enorme sorriso e quase que vai sozinha para a cama. Não é muito difícil, confesso. Suponho que tenha os teus genes quando eras pequena. É tão querida. Mentiria se dissesse que não estaria apaixonado. Consegue sempre o meu lado mais doce e nunca me exigiu o oposto. Se ao menos fossemos todos tão puros assim…

                12:57h
               
Acho que já adormeceu. Agora sim, tenho tempo suficiente para brincar na cozinha; fritar uns hambúrgueres com bacon e depois lambuzar-me com a minha famosa mousse de chocolate!
                Sinto saudades. Da tua implicância e teimosice de que a tua mousse era melhor do que a minha, mesmo com os manos a dizerem que detestavam a tua; que parecia sopa!

                Sinto saudades, de quando me ias defender à escola. De quando esperavas por mim no final do treino. Sinto saudades tuas.

(...)

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Wasas



  Isto aleija-me. Provoca-me bolhas muito por culpa deste calçado. Apesar de já estar habituado, embora forçado, aleija-me a mente por ser completamente diferente, daquilo a que estou acostumado. Não sei se estou pendente, ou se será permanente, mas sei que preciso. Sei que quero. Necessito que me aleije e que me faça esticar por dentro.
  Quero que tudo encaixe. Especialmente este beliscão que faz questão de me querer dar a saber que realmente existe e que de facto, belisca. Eu entendo. Quer-me manter cá em baixo, porque lá em cima o chão é instável e para alguns até falso.
  Quem sabe, se chegarei a cair como as folhas de Outono; castanhas e frágeis. Sem rumo algum para além do chão frio.


(…)

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Inner selves


Sermos quem não somos.

 Talvez o problema esteja aí. Ou então talvez não seja um problema de todo, mas, quem sabe? O esforço de todos nós é mútuo, seja para o que for. Seja lá para que necessidade for. Achamos-mos demasiado fortes; mais fortes que tudo e que todos. A verdade (embora contraditória), é que o somos. Emocionalmente conseguimos ser mais duros e rijos que qualquer ser humano. Esquecemo-nos é que o do nosso lado também o consegue ser, e é aí que nos sobrevalorizamos mais do que com que devíamos.
Mas e achar que o somos? Estará errado? Não.
Se não o achássemos não chegaríamos nem a metade dos caminhos que temos que percorrer; dos objectivos e dos sonhos que temos, queremos e devemos realizar.

Agarrar tudo o que passa à nossa frente é um dever, uma necessidade. Para quê olhar para esse cometa e tentar perceber se é bom ou mau?
Entretanto já ele passou, e com ele levou o nosso olhar confuso.
Até porque nós somos as aventuras.
As surpresas.
Os sonhos.
As emoções.
Se somos vida porque é que temos receio em desperdiça-la? Temos de sobra, tão de sobra que até nos é possível injectar um pouco da nossa noutra pessoa, vezes mil.

Eu não tenho receio, nunca tive. A maioria de nós sabe que nem tudo corre como planeamos, então devemos manter a nossa expectativa consoante a expectativa. O mundo é pequeno para quem se conhece, e eu espero que me consiga encontrar. Espero conseguir fortificar e solidificar quem sou, e para isso preciso de me largar; de sair de mim próprio. De alargar a mente e mudar de espelhos.
De corpos.
De olhares e amores.
De costumes.




segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Leafs.

Engraçado, como pensamos que só precisamos de nós,
Que somos nós, quem estica a corda ou que a prefere deixar, com nós.
Não. Não somos nós que o fazemos. Fazem-no por nós,
Decidem, por nós, se querem ficar a nosso lado ou deixar-nos a sós.
E não é o pré, é o após que nos faz reflectir sobre o que realmente, importa;
Se precisamos de círculos, quadrados, triângulos ou de uma porta, entre nós e o resto.
Porque nem tudo o resto é resto, porque o resto é tudo o que não nos conforta.
Não é a mente quem transporta o que sentimos; mentimos sobre isso.
O piso é inferior àquele que perseguimos,
É nele que se escolhe o que se acolhe ou se deporta tudo aquilo, pelo qual rimos.
E eu rio por outros. Pelos outros.
Pelos poucos que numa festa me fazem ficar rouco,
Que me fazem pensar que pouco sei e que vivo pouco.



Engraçado, como penso que não preciso de mim…

Será ainda pouco para ser de loucos? Não sei de mim.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Ordinary

Banal. Demasiada banalidade numa monotonia que repugna a vontade. E verdade seja dita: Maldita seja a preguiça! Meio castiça, azulada e com o enorme fetiche de fazer cócegas pelo corpo todo. Como tu costumavas fazer.

Deliro. Delirava. Parava no sofá à espera, sentado. Ansioso tentando não parecer atrapalhado, mal te visse. Que te despisse mal entrasses de salto de alto, elegante. Mas que só eu visse, mais ninguém. Gosto de te mostrar ao mundo mas não nestas ocasiões. Nestes momentos, nestas ilusões, o presente é meu e teu. Tão elegante. És linda, mulher. Gosto-te a cem, sabias? Se não sabias então agora, já o sabes. Maldade era se não o soubesses, após dizer-to.

Continuo banal. Igual como anteriormente. Não era suposto os dias serem todos diferentes? Por vezes penso que não sou nada inteligente. Um pouco demente aqui, outro pouco ali, mas inteligente? Nunca o pensei, nem me achei. Apenas pensei que não o era. Que fosse alguém comum. Quem me dera, que não o fosse. Ou que não me achasse. Que achas de te ir buscar ao trabalho? Queria um dia puder tomar café contigo. Acompanhados com um pastel de nata, para ambos; que dizes?





 Desculpa. Está um dia tão banal.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Poros




Diz-me, deixas de acreditar na Lua só porque o Sol se põe no lugar dela? Ou no Sol quando as nuvens o tapam? E em mim quando chego tarde, e te digo que me esqueci completamente de olhar às horas? Meto-me a imaginar sabes, como reages, que tipo de 'birra' vais fazer. E rio. No meio da rua, no passeio e a meio da passadeira, rio feito palerma. Até numa esplanada, cheia de gente! E sinceramente? Sinto-me bem por não me sentir mal quando reparo que estão a olhar de lado, para mim. Sinto-me bem por saber que respiro a tua memória, embora não passe disso mesmo: memória.
Falta do teu carnal não faz tanta falta como outrora, embora não passe disso mesmo: carnal. Como poderei guardar-me a mim e a ti ao mesmo tempo? O meu coração não tem espaço para tanto, pelo menos não para mim. Nem a minha casa de banho o tem, para a minha escova de dentes. Tens os buraquinhos do suporte de escova todos ocupados. 

Assim como os poros em mim; cheios de ti.


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